Ocupação de leitos de UTI ultrapassa 90% em 12 estados e no DF

Em Rondônia, a taxa de ocupação dos leitos é de 100%, o que significa que se um paciente precisar ser internado nesta quarta-feira (10), não há vaga disponível

Carolina Figueiredo e Weslley Galzo, da CNN, em São Paulo

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Quase metade dos estados brasileiros registra colapso no sistema de internação nesta quarta-feira (10). Ao todo são 12 estados e o Distrito Federal com taxas de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) acima de 90%.

O levantamento feito pela CNN junto às secretarias de Saúde estaduais também revela que 21 estados, além do Distrito Federal, ultrapassam a taxa de 80% de ocupação dos leitos de enfermaria e UTI. A apuração compilou os números de internações mais atualizados até as 3h da madrugada desta quarta-feira.

Os estados e municípios geram os dados a partir de critérios diferentes, como a situação da rede pública e privada, a ocupação de UTI adulta, pediátrica e de Covid-19, assim como a taxa total que reúne todas as informações.

Rondônia, na região Norte, vive a pior situação do país com 100% dos leitos de UTI adulto do sistema público ocupados. Também no Norte do país, Acre (93,4%) e Tocantins (90%) estão em colapso e são acompanhados por uma crescente busca por leitos nos estados do Amapá (85,5%) e Amazonas (87,4%).

Em contrapartida, a região Centro-Oeste tem o pior índice de ocupação entre os estados em colapso. Com o Mato Grosso do Sul (99%) à beira da crise total, Goiás (97,6%), Mato Grosso (96,1%) e Distrito Federal (93,5%) estão próximos do esgotamento dos leitos de UTI Covid e UTI disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) regional.

Enfermeira trata paciente com Covid-19 na UTI de hospital em São Paulo
Enfermeira trata paciente com Covid-19 na UTI de hospital em São Paulo
Foto: Amanda Perobelli/Reuters (3.jun.2020)

 A região Sul vem logo atrás da Centro-Oeste no colapso do sistema de internação. Os três estados que formam a região, Paraná (95%), Santa Catarina (96,1%) e Rio Grande do Sul (96,1%), já exauriram a sua capacidade de rotatividade dos leitos.

Os gaúchos, no entanto, conseguiram reverter parte da crise instalada no estado, que estava no último sábado (6) com 102,4% de ocupação na rede pública e 119,2% ao considerar o sistema de saúde privado.

No Nordeste, Pernambuco (95%) ultrapassa a faixa dos 90% de ocupação dos leitos de UTI — definidora de colapso na saúde pública –, assim como Ceará (90,1%) e Rio Grande do Norte (91%), dois estados com crise ainda mais aguda por contabilizarem os dados com a somatória da ocupação nas redes privada, pública e contratualizada. 

A região tem ainda outros cinco estados com taxas de ocupação que ultrapassam 80%. São eles: Bahia (87%) Maranhão (85, 3%), Paraíba (81%), Sergipe (82,4%) e Piauí (82,7). No Sudeste, apenas São Paulo (82%) está acima dos 80% de ocupação dos leitos da rede pública.

Veja os estados com ocupação em leitos de UTI acima de 80%, além do Distrito Federal:

  • Acre – 93,4%
  • Amapá – 85,56%

  • Amazonas – 87,4%

  • Bahia – 87%

  • Ceará – 90,18%

  • Distrito Federal – 93,59%

  • Goiás – 97,60%

  • Maranhão – 85,3%

  • Mato Grosso – 96,16%

  • Mato Grosso do Sul – 99%

  • Paraíba – 81%

  • Paraná – 95%

  • Pernambuco – 95%

  • Piauí – 82,7%

  • Rio Grande do Norte – 91,05%

  • Rio Grande do Sul – 96,1%

  • Rondônia – 100%

  • Roraima – 80%

  • Santa Catarina – 96,1%

  • São Paulo – 82%

  • Sergipe – 82,4%

  • Tocantins- 90%

Veja os estados com ocupação em leitos de UTI abaixo de 80%:

  • Rio de Janeiro – 69,3%
  • Minas Gerais – 78,1 %
  • Espírito Santo – 79,8%
  • Alagoas – 75%
  • Pará – 76,5%

 

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