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    Ômicron foi responsável por aumento de casos e mortes, diz Fiocruz

    Segundo boletim do MonitoraCovid-19, da instituição, a variante Ômicron do coronavírus causou graves impactos nos serviços de saúde em 2022

    Atendimento médico a paciente internado com a Covid-19
    Atendimento médico a paciente internado com a Covid-19 Breno Esaki/Agência Saúde DF

    Iuri Corsinida CNN

    Rio de Janeiro

    Apesar de ter causado menos mortes em relação às cepas anteriores, a Ômicron foi responsável por um alto índice de internações nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) do país, segundo divulgado nesta terça-feira (15) pelo MonitoraCovid-19, painel da Fiocruz que acompanha os desenvolvimentos da pandemia de Covid-19 no Brasil.

    A expansão da nova cepa gerou um forte impacto nos serviços de saúde em 2022 e levou a riscos de desassistência à população, principalmente para aqueles que desenvolveram sintomas mais graves da doença.

    Os pesquisadores pontuaram que houve um “expressivo volume” de mortes ocorridas fora das UTIs, o que, segundo os responsáveis pelo estudo, “denota a ocorrência de um quadro de desassistência à saúde da população”, especialmente em regiões com menores taxas de vacinação.

    “A desassistência é a pior situação dentro de um contexto de epidemia, pois reflete o colapso do sistema de saúde e um contexto em que as pessoas não têm o mínimo possível, que são os cuidados necessários para atendimento.

     

    A desassistência também provoca óbitos indiretos por outras causas que não podem ser atendidas, com isso ocorre o aumento do excesso de óbitos causados pela epidemia, que soma óbitos tanto por Covid-19 quanto pelas demais causas”, alertaram os pesquisadores na nota técnica publicada.

    O estudo apontou que, no mês de janeiro deste ano, quase todos os estados do país tiveram pico de internações que se assemelharam àqueles causados pelas primeiras cepas do coronavírus, em 2020, e também em relação aos picos causados pelas variantes Delta e Gamma, ao longo do ano passado.

    Os números atuais, no entanto, podem ser ainda maiores.

    Os pesquisadores da Fiocruz apontaram que o ataque digital contra a base de dados do Ministério da Saúde (MS), pode ter interferido no cálculo.

    “O apagão causa um atraso na divulgação de dados e ainda tem informações que vão entrar nos próximos balanços. Os dados divulgados nesta terça-feira (15) são referentes à primeira semana de fevereiro. Então é possível que a situação possa ser pior no próximo boletim”, indicou Diego Xavier, pesquisador do MonitoraCovid-19.

    Vacinação desigual

    Os pesquisadores indicaram ainda que um dos principais problemas atuais da pandemia é a cobertura desigual da vacinação no país. O estudo observou que enquanto estados como o de São Paulo têm altos índices de cobertura, outros, especialmente alguns das regiões Norte e Nordeste, têm taxas consideradas baixas tanto em relação à dose de reforço quanto em relação às duas doses.

    “Segundo os dados, é possível correlacionar o aumento de internações e casos de UTI ao fato de que uma parte ainda grande da população brasileira não completou seu esquema de vacinação contra a Covid-19, ou seja, uma epidemia de não vacinados”, informa trecho da nota técnica divulgada.

    Diego Xavier alerta que a cada 10 pessoas internadas com Covid-19, de oito a nove estão com a vacinação atrasada. Além disso, o pesquisador diz que as pessoas vacinadas que evoluem para quadros graves em decorrência do vírus são em sua maioria idosas e com comorbidades.

    Já as pessoas não vacinadas não seguem um padrão por faixa etária em relação à evolução da doença.

    Xavier finaliza dizendo que as pessoas, especialmente os gestores públicos, precisam entender que a Covid-19 veio para ficar e que será preciso assimilar e planejar o convívio com este vírus.

    “Precisamos aprender a conviver com essa doença. Não voltaremos a uma normalidade e as coisas não serão como eram antes. Precisamos focar sempre em evitar novos casos para ter uma pressão cada vez menor nos serviços de saúde. Só assim evitaremos casos graves e, por consequência, mais mortes. Os gestores precisam estar atentos aos indicadores e tomar medidas mais enérgicas quando for preciso. Há que ter um planejamento prévio para o caso de termos que enfrentar uma nova variante tão agressiva como essas que estamos vendo, para que a população tenha um atendimento adequado”, concluiu.