OMS diz que ameaça de pandemia de coronavírus é 'muito real'
No entanto, o órgão não mudou a classificação da doença, por entender que o vírus ainda é controlável

A OMS (Organização Mundial da Saúde) reconheceu nesta segunda-feira (9) que, com mais de 100 países com casos confirmados de coronavírus, a ameaça de uma pandemia se tornou "muito real". O órgão, porém, não alterou a classificação da doença, por entender que o vírus ainda é controlável.
De acordo com os dados mais recentes do órgão, há 110.029 pacientes confirmados e 3.817 mortos por coronavírus em todo o mundo. A doença atingiu 105 territórios e está presente em todos os continentes, exceto a Antártida.
"Essa seria a primeira pandemia da história passível de ser controlada", disse o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus. Segundo ele, alguns países, estão tendo sucesso no controle da epidemia. "A China está controlando a epidemia e há um declínio no número de casos na Coreia do Sul", exemplificou.
Ghebreyesus acrescentou que Japão, China, Itália, Coreia do Sul e Estados Unidos ativaram medidas de emergência para conter o vírus.
Países agem para frear transmissões
Neste domingo (8), a Itália anunciou que impôs quarentena a uma área de 14 províncias, incluindo Milão e Veneza. A medida afeta mais de 16 milhões de pessoas —cerca de 25% de toda a população do país.
Com 366 mortes confirmadas até a tarde desta segunda, a Itália é o país com maior letalidade por coronavírus na Europa e o segundo do mundo, atrás somente da China, epicentro da doença.
Outros países também impuseram medidas drásticas para conter o surto. No Irã, 70 mil detentos foram libertados, sem especificação de quando nem se retornarão ao sistema carcerário.
O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, se pôs em quarentena voluntária após ter contato com alunos de uma escola que fechou após a confirmação que um estudante contraiu o vírus. Mesmo não apresentando sintomas, Sousa decidiu "dar exemplo de tomada de medidas preventivas enquanto trabalhava de casa".
Escolas e universidades portuguesas suspenderam as aulas, medida aplicada também por instituições nos Estados Unidos e na França.
O governo francês proibiu eventos que reunissem mais de mil pessoas e restringiu o acesso ao Museu do Louvre, em Paris.
No domingo, o papa Francisco celebrou a tradicional missa do Vaticano por vídeo. A ação foi para conter a multidão que sempre acompanha a celebração.
Baixa taxa de mortalidade
Apesar da rápida transmissão, a taxa de mortalidade atual é de 3,4%.
Com base em dados de 80 mil casos de COVID-19 na China, a OMS estima que 80% dos indivíduos que contraírem o vírus irão se recuperar. "Mais de 58 mil pacientes chineses se recuperaram", disse Maria van Kerkhove, líder técnica de combate contra o coronavírus da OMS.
Segundo Kerkhove, a taxa de mortalidade é maior entre pessoas com mais de 80 anos, podendo chegar a cerca de 20%.
*Com Estadão Conteúdo