OMS diz que mutação da Covid-19 em visons é ‘preocupante’, mas pede mais estudos

Dinamarca planeja abater 17 milhões de visons após identificar mutação do novo coronavírus nos animais. OMS reconhece que nova cepa é 'preocupante'

Um vison em um galho na vila de Khatenchitsy, em Belarus
Um vison em um galho na vila de Khatenchitsy, em Belarus Foto: Vasily Fedosenko/Reuters (15.set.2015)

Por Naomi Thomas da CNN

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Relatórios sobre uma mutação do novo coronavírus Sars-Cov-2 encontrada em visons na Dinamarca são “preocupantes”, segundo análise da Organização Mundial de Saúde (OMS). A entidade, porém, ressalta que mais estudos são necessários para determinar se a nova cepa encontrada é mais perigosa que as anteriores de alguma forma.

“É normal que os vírus sofram mutações ou mudem com o tempo. Mas ,cada vez que um vírus passa de humanos para animais e de volta para humanos, ele pode mudar mais. É por isso que esses relatórios são preocupantes”, escreveu a OMS pelo Twitter oficial na sexta-feira (6).

Há um temor de que mutações possam afetar a eficácia de vacinas e tratamentos já em estudo para combater a Covid-19.

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Segundo a OMS, no entanto, cientistas ainda não notaram mudanças na cepa relacionada ao vison que afetam a forma como o vírus é transmitido, a gravidade da doença ou o risco de reinfecção nas pessoas.

“As descobertas preliminares da Dinamarca são globalmente relevantes e a OMS reconhece a importância de compartilhar informações epidemiológicas, virológicas e da sequência completa do genoma com outros países e equipes de pesquisa, inclusive por meio de plataformas de código aberto”, disse a entidade em um comunicado na sexta-feira.

Tuíte da OMS comenta relatórios sobre mutanção do novo coronavírus em visons
Tuíte da OMS comenta relatórios sobre mutanção do novo coronavírus em visons
Foto: Twitter/ Reprodução

 

Pelo menos 214 casos de Covid-19 foram associados a visons criados na Dinamarca desde junho, segundo as autoridades locais. Na última semana, o governo do país anunciou a intenção de abater todos os animais em fazendas do país – cerca de 17 milhões de visons, criados especialmente para a extração de sua pele.

A OMS observou que os visons foram infectados após a exposição humana. Os animais podem atuar como um reservatório, “passando o vírus entre eles e representam um risco de propagação do vírus”.

“A OMS aconselha todos os países a melhorar a vigilância para Covid-19 na relação animal-humano, onde reservatórios animais suscetíveis são identificados, incluindo fazendas de visons”, acrescentou.

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