OMS investiga variantes recombinantes do novo coronavírus

De acordo com a OMS, a recombinação é comum entre os coronavírus, sendo considerada parte esperada do contexto de mutações

Taxa de evolução e o risco de surgimento de novas variantes, incluindo recombinantes, ainda é muito alto, segundo a OMS
Taxa de evolução e o risco de surgimento de novas variantes, incluindo recombinantes, ainda é muito alto, segundo a OMS Josué Damacena/IOC/Fiocruz

Lucas Rochada CNN

em São Paulo

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Por serem microrganismos muito simples, os vírus podem apresentar uma alta capacidade de mutação, que ganha impulso com o aumento da transmissão. Algumas mutações não representam qualquer tipo de alteração nas características virais, outras podem conferir vantagens como o aumento da transmissibilidade.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o vírus SARS-CoV-2, causador da Covid-19, continua a evoluir. Dado o atual alto nível de transmissão em todo o mundo, a OMS afirmou em um boletim divulgado nesta terça-feira (5) que é provável que outras variantes, incluindo recombinantes, continuem a surgir. De acordo com a entidade, a recombinação é comum entre os coronavírus e é considerada um evento mutacional esperado.

Neste momento, a OMS está rastreando variantes recombinantes, como a derivada de Delta (AY.4) e Ômicron (BA.1), além de recombinantes de BA.1 e BA.2, ambas sub linhagens da Ômicron.

O recombinante de Delta e Ômicron está sendo rastreado como uma “variante sob monitoramento”, classificação da OMS para linhagens do vírus que exigem atenção, mas não representam uma preocupação até o momento.

Segundo a OMS, a disseminação do recombinante parece ter sido limitada, tendo sido publicadas apenas 26 sequências no banco de dados internacional Gisaid. Além disso, as evidências atualmente disponíveis não sugerem que ele seja mais transmissível do que outras variantes circulantes.

Já o recombinante entre as duas sub linhagens de Ômicron (BA.1 e BA.2) está sendo rastreado pela OMS como parte da variante Ômicron. O recombinante foi detectado pela primeira vez no Reino Unido em 19 de janeiro e aproximadamente 600 sequências foram relatadas e confirmadas até o dia 29 de março.

As estimativas iniciais sugerem que esse recombinante tem uma vantagem na taxa de crescimento comunitária de 1,1 (o que representa uma vantagem de transmissão de 10%) em comparação à BA.2. No entanto, segundo a OMS são necessários estudos complementares para confirmar a informação.

Risco de surgimento de novas variantes

A taxa de evolução e o risco de surgimento de novas variantes, incluindo recombinantes, ainda é muito alto, segundo a OMS.

Nesse sentido, a OMS reforça a necessidade de implementação de estratégias de amostragem e sequenciamento contínuas, abrangentes e representativas, juntamente com o compartilhamento oportuno de dados pelos países.

“A OMS continua monitorando e avaliando de perto o risco à saúde pública associado às variantes recombinantes, juntamente com outras variantes do SARS-CoV-2, e fornecerá atualizações à medida que mais evidências estiverem disponíveis”, diz o comunicado.

Cenário epidemiológico das variantes no mundo

A variante Ômicron continua a ser a linhagem dominante que circula globalmente, respondendo por quase todas as sequências relatadas recentemente ao Gisaid. Entre as 417.147 sequências publicadas no banco de dados, com amostras coletadas nos últimos 30 dias, 416.175 (99,8%) eram Ômicron, 141 eram Delta e 562 sequências não foram atribuídas a uma linhagem.

O número total de sequências de Ômicron submetidas continua a diminuir, uma tendência observada para cada uma das variantes descendentes de Ômicron. Entre as linhagens descendentes dela, a proporção relativa de BA.2 aumentou para 93,6%, enquanto BA.1.1 representa 4,8% e BA.1 e BA.3 representam <0,1% de todas as linhagens Ômicron.

BA.2 tornou-se dominante em todas as regiões do mundo e em 68 países para os quais estão disponíveis dados de sequenciamento. No entanto, houve diferenças no aumento de BA.2 entre as regiões. Na América do Sul, a BA.2 começou a aumentar mais tarde e em um ritmo mais lento em comparação com outras localidades, representando 28% das linhagens Ômicron na semana  de 14 a 20 de março.

De acordo com a OMS, essas tendências devem ser interpretadas levando em consideração as limitações dos sistemas de vigilância, incluindo diferenças na capacidade de sequenciamento e estratégias de amostragem entre os países, bem como os tempos de resposta dos laboratórios para sequenciamento e atrasos na notificação.

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