Osmar Terra defende a imunização de rebanho e diz que a quarentena é ineficiente

“Essa quarentena é fictícia, não tem quarentena na favela do Alemão, na favela da Rocinha, não tem como isolar estas pessoas socialmente”, afirmou o deputado

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O ex-ministro da cidadania e deputado federal pelo Rio Grande do Sul, Osmar Terra (MDB), falou em entrevista para a repórter e analista da CNN, Renata Agostini, que considera o isolamento social inútil porque a quarentena só existe para a classe média. “Essa quarentena é fictícia, não tem quarentena na favela do Alemão, na favela da Rocinha, não tem como isolar esta população socialmente. As pessoas estão sofrendo muito lá e estão passando fome porque estão perdendo os empregos”.

Corroborado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que tem usado Terra como consultor no assunto do coronavírus, ambos falaram sobre a imunização de rebanho, defendendo que o vírus, já em curso, não será barrado pelo isolamento, e que a epidemia só terminará depois que 70% da população estiver contaminada.

Renata Agostini reforçou que não há discordâncias no mundo, hoje, sobre a circulação do vírus, já que boa parte da população terá contato com ele. No entanto, ressaltou: “O que se debate neste momento, e que é defendido por governadores que seguem as recomendações da Organização Mundial de Saúde, é como brecar o avanço do vírus para que o sistema de saúde possa ter condições de atender aqueles que ficarão doentes. Lembrando, que nem todo mundo que tiver o vírus vai ficar seriamente doente e precisará ficar internado. Mas como seriam muitas pessoas ao mesmo tempo, o sistema de saúde não daria conta. É isso que está em questão”, diz. 

Sobre isso, o deputado Osmar Terra, rebateu, dizendo que as recomendações da OMS não precisam ser seguidas à risca, até porque, segundo ele, “elas mudam o tempo todo”. Em contrapartida ao restante do mundo, o deputado acredita que o número de doentes será muito menor do que se imaginava e fez uma comparação à crise do zika vírus, dizendo que na época, tendo a região sul como epicentro, ele achou que seria um número maior do que ao final se viu. Ele voltou a afirmar que alguns governadores do Brasil estão tomando medidas excessivas, tanto quanto ao fechamento do comércio em cidades onde ainda não há casos, quanto em relação à abertura de novos leitos de UTI. “Foram gastos desnecessários porque o número de casos é muito pequeno”, defende.

Atualmente, o Brasil registrou 4016 mortes em decorrência da COVID-19 e 58.509 casos confirmados. Para Osmar, esse é o momento de pico, e a partir de agora a tendência é cair. “Todas as epidemias de vírus levam um prazo de 13 a 14 semanas para passar. O pico da curva é o ponto onde há o maior número de novos contágios por dia, e depois vai caindo (…) A gente tem que proteger a população de risco, que são os idosos, as pessoas com doenças crônicas, que têm deficiência mental e física, que não consegue caminhar, andar, esses são o alvo do vírus”.

 

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