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    Outubro Rosa: o que se sabe sobre o câncer de mama avançado

    Diagnóstico precoce e tratamento adequado aumentam qualidade e tempo de vida; entenda o que é e como acontece a metástase

    Com o avanço técnico e científico, há opções de tratamento mesmo para pacientes com diagnóstico de câncer avançado
    Com o avanço técnico e científico, há opções de tratamento mesmo para pacientes com diagnóstico de câncer avançado Matheus Oliveira/Agência Saúde DF

    Lucas Rochada CNN

    em São Paulo

    O câncer de mama é o principal tipo de câncer a atingir mulheres (excluindo os tumores de pele não melanoma), com uma estimativa de mais de 66 mil novos casos a cada ano segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Destes, estima-se que cerca de 35% já são diagnosticados em fase avançada.

    Um em cada três casos de câncer pode ser curado se for descoberto logo no início. O medo, a desinformação e a falta de acesso aos serviços de saúde contribuem para atrasar o diagnóstico. Todos os anos, a campanha Outubro Rosa realiza a conscientização sobre o problema de saúde pública.

    A doença é caracterizada em diferentes estágios: 0 a IV, sendo o último o mais grave. Nesta fase, o câncer pode ser encontrado em outras partes do corpo, sendo chamado de câncer metastático. Os locais mais propícios a serem atingidos são o fígado, os ossos e o pulmão. O câncer de mama metastático é uma condição incurável. A sobrevida mediana de uma paciente com doença metastática é de aproximadamente dois anos, podendo variar de uma pessoa para outra.

    “Apesar de ser difícil ouvir esse diagnóstico, é importante destacar que hoje em dia há diversas opções de tratamento disponíveis que ajudarão o paciente a ter uma melhor qualidade de vida e aumentar seu tempo de sobrevida global, mesmo quando a presença do câncer é confirmada”, diz Lenio Alvarenga, diretor médico de Innovative Medicines da Novartis Brasil. “O importante é sempre conversar com o seu médico para entender qual o melhor caminho tomar com relação ao seu tratamento”, completa.

    De acordo com o Inca, o câncer de mama pode ser percebido em fases iniciais, na maioria dos casos, por meio dos seguintes sinais e sintomas:

    • Nódulo (caroço), fixo e geralmente indolor
    • Pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja
    • Alterações no bico do peito (mamilo)
    • Pequenos nódulos nas axilas ou no pescoço
    • Saída espontânea de líquido anormal pelos mamilos

    O Ministério da Saúde recomenda a realização da mamografia como método de rastreamento para o câncer de mama, ou seja, exame de rotina, para mulheres sem sinais e sintomas na faixa etária de 50 a 69 anos, a cada dois anos.

    “Atualmente não indicamos o autoexame para identificação precoce do câncer de mama, os estudos demonstraram que essa estratégia não reduzia a mortalidade. A recomendação é que a mulher tenha consciência da saúde das mamas, saiba reconhecer os sinais e sintomas suspeitos e tenha acesso rápido aos serviços de saúde para investigação. A palpação das mamas pode ocorrer sempre que a mulher se sentir confortável”, afirma a médica mastologista Viviane Esteves, do Serviço de Mastologia do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz).

    Diferentes tipos de câncer de mama

    O câncer de mama é resultante da multiplicação de células anormais da mama, que forma um tumor com potencial de invadir outros órgãos. Segundo o Inca, há vários tipos de câncer de mama. Alguns se desenvolvem rapidamente, e outros, não. A maioria dos casos tem boa resposta ao tratamento, principalmente quando diagnosticado e tratado no início.

    De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o câncer de mama é classificado em três subtipos principais. As categorias são associadas à presença ou ausência de marcadores moleculares, ou proteínas, para receptores hormonais (RH) e o chamado “fator de crescimento epidérmico humano 2” (ou HER2).

    Quando as duas proteínas estão presentes, o tumor é classificado como RH+ e HER2+. Agora, quando estão ausentes, o tumor é classificado como RH- e HER2-, que pode também ser chamado de triplo negativo. Há ainda a possibilidade de apenas uma das proteínas estarem presentes, levando a duas possibilidades distintas: RH+ e HER2- ou RH- e HER2+.

    No Brasil, estima-se 20% dos casos correspondam ao tipo HER2 positivo (média de 13.400 casos por ano), dos quais 80% são tratados no SUS, em torno de 10.700 pacientes. O tipo mais comum é o RH+ e HER2-, que atinge em torno de 69% das mulheres.

    O que são e por que acontecem as metástases?

    A metástase pode acontecer quando as células do câncer de mama se separam do tumor principal e entram no fluxo sanguíneo ou no sistema linfático. Desta forma, as células que estão separadas são deslocadas para outras partes do corpo, às vezes para longe do tumor original.

    No momento em que essas células se agrupam em uma determinada região, elas podem crescer e formar novos tumores nesse novo local.

    Apesar do tumor ter se espalhado para outras regiões do corpo, suas características ainda são de um câncer de mama. Por exemplo, independentemente se o tumor se espalhou para os ossos, são as células do câncer de mama que estão na região, que são diferentes das células de um tumor que se inicia diretamente no osso. Por isso, o tratamento continua sendo o mesmo.

    Como funciona o tratamento do câncer?

    Nos últimos anos, avanços na abordagem do câncer de mama trouxeram benefícios para as pacientes, com impactos positivos na qualidade de vida. O tratamento varia de acordo com a extensão da doença, as características biológicas do tumor, e as condições de cada paciente, como idade, status da menopausa, comorbidades e preferências pessoais.

    O prognóstico também depende da extensão da doença, assim como das características do tumor. Quando a doença é diagnosticada no início, o tratamento tem maior potencial curativo. Quando há evidências de metástases, o tratamento tem como objetivos principais prolongar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida.

    De acordo com o Inca, as modalidades de tratamento do câncer de mama podem ser divididas em tratamento local, que inclui cirurgia e radioterapia (além de reconstrução mamária), e tratamento sistêmico, que envolve quimioterapia, hormonioterapia e terapia biológica.

    Os médicos do Sistema Único de Saúde (SUS) utilizam as Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas (DDT) em oncologia para nortear as melhores condutas para tratamento do câncer. O conjunto de documentos baseados em evidência científica auxiliam os profissionais na escolha terapia adequada para cada paciente.

    Em setembro, o Ministério da Saúde incorporou no SUS o medicamento trastuzumabe entansina, ou TDMI-1, indicado para o tratamento de pacientes com câncer de mama HER2-positivo em esquema de monoterapia, método em que a terapia é realizada utilizando apenas uma droga ou procedimento.

    Câncer de mama avançado

    Com o avanço técnico e científico, há opções de tratamento mesmo para pacientes com diagnóstico de câncer avançado e em fase de metástase.

    Neste caso, o cuidado passa a focar no aumento do tempo de sobrevida global, como é chamado o tempo total vivendo com metástase de câncer de mama, ou livre de progressão, que considera a quantidade de tempo que o câncer não cresceu ou avançou durante o tratamento, além da promoção de qualidade de vida.

    Os profissionais de saúde podem se guiar por diversos fatores para montar um plano de ação, como as características das células, os outros locais que foram atingidos, quais sintomas a paciente apresenta, além de outros tratamentos de câncer de mama realizados anteriormente.