Pacientes com doença rara ficam sem medicamento no SUS, diz associação
Unico remédio para amiloidose ATTR, tafamidis, está em falta em diversos estados, alertam associações

Pacientes com rara doença genética, a amiloidose ATTR, relatam que estão sem acesso ao único medicamento de tratamento disponibilizado pelo SUS (Sistema Único de Saúde), o Tafamidis de 20mg e 61mg, em diversos estados, de acordo com a ABPAR (Associação Brasileira de Amiloidose).
O medicamento é o único disponível gratuitamente que é capaz de retardar a progressão da doença. Sem a medicação, os pacientes correm risco dos sintomas de insuficiência cardíaca e dano neurológico progressivo e agravam e tornem-se irreversíveis.
Segundo informações da ABPAR, a doença afeta cerca de 5 mil brasileiros. De acordo com a associação, o medicamento de 20mg está há quatro meses em falta e o de 61mg está em uma quantidade insuficiente para atender a demanda.
A ABPAR alega receber diversos relatos de pacientes e familiares que estão com problemas para retirar o remédio em farmácias e unidades de dispensação do SUS. Além disso, explica que há um agravante nesse fator que afeta os pacientes que sofrem alterações na dosagem.
Ao trocar a dosagem do Tafamidis de 20mg para o de 61mg e protocolar um pedido da nova dosagem, a dispensação da dosagem anteriormente usada é bloqueada automaticamente ao deferir o pedido da nova.
Devido a falta de ambas as dosagens, os pacientes ficam sem acesso às duas dosagens, mesmo que tenham ao menos um pedido aprovado no sistema.
Por se tratar de um tratamento sem substituições disponíveis na rede pública, a presidente da ABPAR, Barbara Coelho, alerta que a interrupção pode acarretar em impactos irreversíveis.
“A falta do Tafamidis gera enorme preocupação entre os pacientes e suas famílias. Estamos falando de uma medicação essencial para pessoas que convivem com amiloidose. O tratamento não pode ser interrompido por falhas no abastecimento. Seguiremos cobrando respostas e medidas urgentes”, afirma a presidente da Associação.
Em nota á CNN Brasil, o Ministério da Saúde, responsável pela administração do SUS, afirmou ter formalizado um termo aditivo para o medicamento, que foi cumprido com a entrega na maioria das secretarias estaduais de saúde, com as restantes previstas para receberem o tafamidis entre julho e agosto.
Leia a nota na íntegra:
O Ministério da Saúde atua para garantir a continuidade do abastecimento e ainda em maio deste ano formalizou um termo aditivo para o medicamento tafamidis 20mg. Como resultado, novas doses dessa apresentação foram entregues a praticamente todas as secretarias estaduais de saúde, restando a SES-PE, com agendamento para 16/7, e SES-RS, para 4/8.
O abastecimento de tafamidis 61 mg varia de acordo com o número de novos pacientes incluídos em cada estado. O Ministério está formalizando um termo aditivo também para esta apresentação e paralelamente já conduz um novo processo aquisitivo.
A CNN Brasil também entrou em contato com a Pfizer, fabricante do Tafamidis, que alegou em nota que as entregas dos medicamentos foram realizadas dentro do prazo imposto pelo Ministério da Saúde e que está em contato com o Ministério para o planejamento de um eventual novo contrato de suprimentos.
Leia a nota da Pfizer na íntegra:
Em relação ao questionamento acerca da distribuição dos medicamentos Vyndaqel (Tafamidis meglumina 20mg) e Vynkella (Tafamidis 61mg), a Pfizer informa:
Sobre a apresentação Vyndaqel (Tafamidis meglumina 20mg)
As entregas previstas no contrato nº 105/2025, contemplando 350.730 unidades (11.691 caixas), firmado em 2 de abril de 2025 com o Ministério da Saúde, foram integralmente realizadas em conformidade com o cronograma acordado entre as partes, sem nenhuma ocorrência de atraso.
O 1º Termo Aditivo, contemplando um quantitativo adicional de 87.660 unidades (2.922 caixas), foi assinado no dia 27 de maio de 2026 e a entrega foi realizada no dia 1º de julho.
Adicionalmente, o 2º Termo Aditivo, referente à renovação do contrato nº 105/2025, foi assinado em 02 de julho, contemplando 350.730 unidades (11.691 caixas) e com entrega dividida em três momentos, sendo a primeira prevista para o dia 1º de agosto, a segunda para 30 de setembro e a terceira — e última — para 15 de novembro.
Sobre a apresentação Vynkella (Tafamidis 61mg)
Em relação à distribuição de Vynkella (Tafamidis 61mg), a Pfizer informa que as entregas previstas no contrato nº 340/2025, contemplando 38.310 unidades (1.277 caixas), firmado em 27 de novembro de 2025 com o Ministério da Saúde, foram concluídas em 1º de junho de 2026, sem nenhuma ocorrência de atraso.
No momento, a Pfizer aguarda a disponibilização do 1º Termo Aditivo do contrato nº 340/2025 para assinatura, contemplando quantitativo de 9.570 unidades (319 caixas), com previsão de entrega até 15 de setembro de 2026. E em paralelo, acionamos o Ministério acerca da expectativa da nova contratação.
Adicionalmente, estamos em contato com o Ministério da Saúde para entender as expectativas e planejamento acerca de eventual novo contrato de suprimento. De qualquer forma, confirmando seu compromisso com a Rede SUS e com os pacientes que vivem com Amiloidose Associada à Transtirretina, a Pfizer Brasil solicitou a produção de 30.000 unidades (1.000 caixas) do Tafamidis 61mg, mesmo sem ter sido a confirmação de intenção de novo contrato ou sobre o quantitativo necessário, com o objetivo de garantir o abastecimento da rede sem riscos. A companhia reafirma que continuará empenhando seus melhores esforços para que todas as entregas ocorram dentro dos prazos estabelecidos.
*Sob supervisão de AR.


