Papa Leão XIV com câncer no pulmão: veja sintomas de alerta da doença

Pontífice foi diagnosticado com adenocarcinoma pulmonar nesta terça-feira (13), um tipo de tumor que pode permanecer silencioso nas fases iniciais

Larissa Soave e Yasmin Silvestre, colaboração para a CNN Brasil, em São Paulo

O papa Leão XIV foi diagnosticado, nesta terça-feira (13) com adenocarcinoma pulmonar, um tipo comum de câncer de pulmão. Essa é uma doença que pode apresentar características diferentes para cada paciente, o que torna essencial uma avaliação individualizada.

O médico oncologista Ramon Andrade de Mello, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, explica que esse tumor pode permanecer silencioso durante bastante tempo.

Em fases iniciais, o câncer de pulmão pode não provocar manifestações específicas, o que contribui para que muitos diagnósticos ocorram quando a doença já está mais avançada. Mas o diagnóstico precoce é um dos principais fatores que influenciam as chances de sucesso do tratamento.
explica o oncologista

Para diagnosticar a doença o mais rápido possível, é preciso estar atento a alguns sinais comuns, como:

  • Tosse persistente;
  • Tosse com sangue;
  • Dor no peito;
  • Falta de ar;
  • Fadiga extrema;
  • Rouquidão;
  • Perda de peso sem causa conhecida;
  • Infecções pulmonares recorrentes.

Esses sinais podem ser leves ou confundidos com problemas respiratórios comuns, mas precisam ser investigados.

Entenda a doença

O adenocarcinoma é um subtipo do carcinoma, termo genérico que abrange todos os cânceres que se desenvolvem a partir de células epiteliais. Ramon Andrade

O adenocarcinoma pulmonar é um câncer que se origina nos alvéolos e tem chance de metástase, além de ser uma das principais causas de mortalidade relacionadas ao câncer.
afirma Ramon Andrade

Segundo as estimativas 2023, é o terceiro câncer mais comum em homens e o quarto em mulheres no Brasil. Já no mundo, é o primeiro em incidência entre os homens e o terceiro entre as mulheres.

No Brasil, de acordo com a publicação “Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil", do INCA (Instituto Nacional de Câncer), a expectativa é de 35.380 novos casos por ano no triênio 2026–2028.

A taxa de sobrevida relativa em cinco anos é de 18%, mas para os casos que são diagnosticados em estágio inicial (câncer localizado), a taxa é maior, chegando a 56%.

O que deve ser feito?

O diagnóstico do câncer de pulmão pode ser feito por meio de exames de imagem, biópsia e marcadores tumorais.

A retirada cirúrgica do tumor, segundo Ramon, é uma das principais opções de tratamento em estágio inicial, especialmente quando a doença está localizada e não há evidências de disseminação para outras regiões do organismo.

Em determinados casos, principalmente quando o tumor é pequeno, está restrito ao pulmão e foi completamente removido, o procedimento pode ser suficiente para o controle da doença. No entanto, isso depende do estadiamento definitivo, das características do tumor e da avaliação dos linfonodos.
afirma o oncologista

A análise para estadiamento do câncer pode incluir a avaliação dos linfonodos, pois permite investigar se a doença atingiu estruturas próximas ao tumor.

Também é feita a análise anatomopatológica do tecido tumoral, que fornece informações importantes para orientar as decisões terapêuticas.

Ele explica que, mesmo após a retirada completa do tumor, alguns pacientes ainda podem precisar de tratamentos adicionais para reduzir o risco de reaparecimento. É possível utilizar imunoterapia e terapias-alvo, que atuam sobre mecanismos específicos relacionados ao desenvolvimento da doença.