Pesquisa: 29% das famílias atrasaram vacinação dos filhos por conta da pandemia

Levantamento realizado pelo Ibope Inteligência, a pedido da Pfizer, mostra também que 44% dos pais entrevistados adiaram consultas pediátricas

Paula Forster, da CNN, em São Paulo

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Por causa da pandemia da Covid-19, cerca de 29% das famílias brasileiras deixaram para depois a vacinação dos filhos. Entre elas, 9% pretendem atualizar o calendário vacinal das crianças somente após a pandemia do novo coronavírus. O adiamento da imunização é maior entre as famílias das regiões Norte e Centro Oeste do Brasil, cuja média é de 40%.

Os dados são inéditos e compõem a pesquisa “Impacto da Pandemia nos Lares Brasileiros: Como as Famílias Estão Lidando Com a Nova Realidade”, realizada pelo Ibope Inteligência, a pedido da Pfizer. O estudo conta com 1.000 entrevistas on-line com mães e pais de todas as regiões do país e tem por objetivo saber o quanto a pandemia influenciou no atraso da vacinação infantil.

De acordo com a pesquisa, o cenário é o mesmo em todas as classes sociais (A, B e C). O imunologista PhD pela Universidade de São Paulo (USP), Gustavo Cabral, explica que não vacinar significa o retorno de várias doenças, uma vez que essas pessoas se tornam vetores dos vírus. Cabral explica ainda que a cobertura vacinal está em queda no país desde 2019: “Não é de agora. Em 2020, seguiu a tendência do ano anterior com o agravante da pandemia. Várias vacinas deixaram de ser tomadas por crianças e adolescentes, por causa de movimentos antivacina e anticiência, que vem crescendo”, completa.

Aplicação de vacina em braço de criança
Criança recebe dose do imunizante dentro do calendário vacinal
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Do outro lado desta realidade, está Renata Soares Barquilla, administradora e mãe de dois filhos, um menino de três anos e uma menina de 1 ano e 7 meses. Ela cumpriu o calendário vacinal à risca e levou as crianças em todas as consultas durante a pandemia: “O meu menino tomou a vacina da gripe, o profissional veio em casa, e a menor, por causa da idade, tomou praticamente todas”, explica.

Consultas pediátricas

O estudo também expôs outro problema brasileiro: 44% dos pais entrevistados adiaram consultas pediátricas, porcentagem ainda maior (50%) entre os pais de crianças de 3 a 5 anos. Apenas 15% das famílias utilizaram a telemedicina como aliada durante este período de restrições.

A pesquisa apontou ainda que 38% dos pais disseram que o pediatra não orientou sobre o calendário vacinal durante a pandemia do novo coronavírus.

Esse estudo faz parte da campanha #MaisQueUmPalpite, iniciativa da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Pfizer que propõe o combate as fake news sobre saúde da criança, conscientizando as famílias sobre a importância de se prevenir contra doenças infectocontagiosas durante a infância.

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