Pandemia de Covid-19 reduz expectativa de vida do brasileiro em quase dois anos

De acordo com a pesquisa 'Redução da expectativa de vida no Brasil após Covid-19', declínio foi maior para os homens

Isabelle Resende e Lucas Janone, da CNN, no Rio de Janeiro

Ouvir notícia

A pandemia da Covid-19, que já ultrapassou os 520 mil mortos, ampliou em 9,1% a diferença na expectativa de vida entre homens e mulheres. Para as pessoas do sexo masculino, a pandemia reduziu a perspectiva de vida em 1,57 ano. Já as mulheres perderam, em média, 0,9 ano. É o que aponta um estudo coordenado pela pesquisadora brasileira, Márcia Castro, do Departamento de Saúde Global e População da Universidade de Harvard.

No geral, a expectativa de vida dos brasileiros caiu 1,8 ano em 2021. A pesquisa abrange ainda a taxa de mortalidade e os óbitos registrados desde março de 2020, quando foi decretado o início da pandemia.

De acordo com a pesquisa Reduction in Life Expectancy in Brazil after covid-19 (Redução da expectativa de vida no Brasil após Covid-19), o número de mortes pelo vírus fez a vida estimada da população brasileira cair de 76,74 anos para 74,96.

“A redução da expectativa de vida aos 65 anos em 2020 foi de 0,9 ano, recolocando o Brasil nos níveis de 2020”, diz um trecho do documento obtido pela CNN.

O pesquisador de saúde pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Raphael Guimarães afirmou que somente um “efeito catastrófico”, como o gerado pela pandemia de Covid-19, seria capaz de reduzir a expectativa de vida dos brasileiros.

“Nós temos uma expectativa de vida que é gradativa ao longo das últimas décadas, mas um efeito catastrófico pode eventualmente influenciar. Temos um impacto no indicador, porque está acontecendo um grande volume de mortes em uma faixa etária bem precoce. Dessa forma, isso puxa a média dos anos potenciais de vida para baixo”, explicou o pesquisador.

Diferença entre os estados brasileiros

No cenário nacional, a maior redução na expectativa de vida foi observada nas regiões Norte e Nordeste do país. Os resultados mais críticos foram registrados nos estados com os piores indicadores sociais, como desigualdade de renda e dificuldade de acesso à infraestrutura, segundo a pesquisa.

A maior redução de idade, absoluta e relativa, entre os estados foi estimada para o Amazonas, com uma queda de 3,46 anos, seguido pelo Amapá (3,18 anos) e pelo Pará (2,71 anos).

Já os estados do Sul do Brasil foram os menos afetados pela pandemia e, consequentemente, não tiveram uma redução na expectativa tão acentuada. O levantamento aponta que a disponibilidade de médicos e leitos hospitalares foram fundamentais para a manutenção da perspectiva.

Mais Recentes da CNN