Pesquisadora destaca boa resposta imune em idosos em testes da vacina de Oxford
'Isto é um dado muito especial porque, de um modo geral, o idoso responde pior às vacinas', afirmou Lily Yin Weckx
A pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Lily Yin Weckx, responsável no Brasil por coordenar os estudos sobre a nova vacina de Oxford, afirmou à CNN que é muito "animador e especial" os resultados sobre a vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela universidade e a fabricante AstraZeneca. A especialista disse ainda que a resposta imune em idosos é muito similar a dos jovens.
"O que se verificou é que a resposta [imune] em idosos é absolutamente similar com algo que obtivemos com adultos jovens. Isto é um dado muito especial porque, de um modo geral, o idoso responde pior às vacinas e geralmente esta resposta é diminuída com o tempo", disse.
E continuou: "Então, quando você mostra uma vacina com este tipo de resposta, igual em jovens, é muito animador porque não costuma acontecer com todas as vacinas. Ainda não podemos dizer que isto é sinônimo de eficácia, porque ainda não sabemos que níveis são de fato protetores. Isto só vamos ter com os resultados de fase três".
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Ainda de acordo com a pesquisadora, o estudo está apresentando evoluções favoráveis e que há previsão de ter "uma análise interina, antes do termino dos estudos".
"Ter uma resposta imune positiva é um dado muito bom. Vamos agora acompanhar para ver se protege da mesma forma. Mas tudo indica que sim. (...) A gente não tem data exata, mas o estudo vai indo muito bem. Muito provavelmente em breve podemos fazer uma análise interina, antes do término dos estudos. Talvez esta análise pode vir neste ano."
Questionada quanto a possibilidade de se ter atualização anual da vacina, Weckx acredita que no caso do novo coronavírus não será necessário, uma vez que foi observado mutações mínimas no vírus.
"Por enquanto, não estamos trabalhando com esta hipótese de fazer uma vacina todo ano, o que precisamos ver agora é por quanto tempo a proteção vai persistir. Fazer uma vacina por causa da mutação do vírus não está na nossa hipótese agora", finaliza.
(Edição: André Rigue)