Pfizer intercedeu com Economia e embaixada nos EUA para vender vacina ao Brasil

Caio Junqueirada CNN

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Além de ter enviado uma carta diretamente ao presidente Jair Bolsonaro, como revelou a CNN, a Pfizer fez gestões junto ao Ministério da Economia e à Embaixada do Brasil nos Estados Unidos para tentar convencer o governo brasileiro a comprar sua vacina.

O encontro na Economia ocorreu às 11h30 do dia 7 de agosto e foi conduzido pelo Secretário Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade Carlos Da Costa, um dos “vice-ministros” do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Além de seus auxiliares, participaram do encontro cinco executivos da Pfizer. São eles: Carlos Murillo, presidente da Pfizer Brasil; Alejandro Lizarraga, diretor da Unidade de Negócios de Vacinas da farmacêutica; Cristiane Santos, diretora de Comunicação e Assuntos Corporativos; Marjori Dulcine, diretora Médica Pfizer Brasil; e o Gerente Sênior de Relações Governamentais, Eliza Samartini.

Segundo uma fonte que participou do encontro, nele os executivos fizeram uma apresentação atualizada dos estudos da vacina. Disseram que ela tinha uma tecnologia diferenciada e que poderia atender ao governo brasileiro se fosse viabilizada. 

No final daquele mês, a Pfizer pediu um encontro com a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos para também apresentar sua vacina. O então encarregado de negócios da embaixada em Washington, Nestor Fostner, atual embaixador, realizou uma reunião por videoconferência com o presidente da empresa para a América Latina, Om Arora, e o presidente no Brasil, Carlos Murillo, no dia 27 de agosto de 2020.

Segundo a própria embaixada informou à CNN, eles comunicaram terem apresentado uma proposta ao governo brasileiro. “Na ocasião, os representantes da Pfizer comunicaram haver apresentado formalmente ao governo brasileiro, naquele mesmo mês, proposta de venda de doses da vacina em desenvolvimento pela farmacêutica. Compartilharam, também, dados técnicos sobre o produto, prontamente transmitidos a Brasília”, disse a embaixada em nota”.

A embaixada também informa que “em contatos posteriores com diplomatas da embaixada, a empresa passou atualizações sobre conversas em curso em Brasília” e que “também encaminhou ao governo brasileiro essas informações”. Ela também confirma ter recebido em cópia, a carta do presidente da Pfizer, Albert Bourla, encaminhada no dia 12 de setembro ao presidente Jair Bolsonaro e outras autoridades, conforme revelado pela CNN.

A CNN procurou na manhã desta segunda-feira o Ministério da Economia, mas ele não se manifestou.

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