População precisa fazer sua parte para controlar Covid-19 no Brasil, diz OPAS

Vice-presidente da Organização Pan-Americana de Saúde, Jarbas Barbosa cita países vizinhos que conseguiram reduzir os números de infectados

Da CNN, em São Paulo

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Os casos e mortes por Covid-19 no Brasil – que nesta terça-feira (2), bateram o recorde desde o início da pandemia – não vão parar de subir enquanto as pessoas não colaborarem seguindo as medidas de saúde recomendadas, como uso de máscara, distanciamento social e evitar aglomerações. O alerta é do vice-presidente da Organização Pan-Americana de Saúde, Jarbas Barbosa, em entrevista à CNN.

“Infelizmente os números mostram que a transmissão acelerou em praticamente todo o Brasil, o que é muito preocupante. O maior risco em uma situação como essa de transmissão muito acelerada é que o número de casos graves produzidos pode ser maior que a oferta de leitos de UTI e respiradores mecânicos, perdendo vidas por falta de acesso”, ressalta.

Pessoas caminham na estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro
Pessoas caminham na estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro
Foto: Ricardo Moraes – 24.mar.2020/ Reuters

Ele aponta alguns fatores que também contribuíram para a disparada dos números. “As festas de fim de ano e Carnaval estão produzindo um impacto. É importante que a população também faça sua parte para que o Brasil controle a transmissão”, avisa.

Apesar de condições em comum, como “pobreza, informalidade da economia e grande parte da população vivendo em condições praticamente permanentes de aglomeração em favelas e comunidades pobres”, alguns países vizinhos conseguiram retomar parte do controle sobre a pandemia. “Países como Argentina, Chile e México conseguiram uma desaceleração. O Brasil já mostrou em outros momentos que tem condições de deter a transmissão”, afirma.

Barbosa diz ainda que, manter os números em casos em alta aumenta a chance de novas cepas surgirem, desafiando a ciência. “As novas variantes podem comprometer os esforços que o mundo tem feito. Se deixamos o vírus circulando, pode ser que apareçam variantes que não sejam protegidas pelas vacinas atuais e exigiriam vários meses de novo para produzir uma nova”.

(Publicado por: André Rigue)

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