Por que a Febre do Nilo Ocidental tem esse nome? Entenda

Pesquisa mostra que casos são raros no Brasil; doença não é tratada como epidemia

Jairo Nascimento, da CNN Brasil, em São Paulo
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Os estados de São Paulo e Santa Catarina confirmaram que quatro pessoas foram infectadas pela Febre do Nilo Ocidental. Uma mulher de 77 anos, residente em Imbituba (SC), morreu por complicações da doença, segundo informações da Secretaria de Saúde catarinense.

O Ministério da Saúde também confirmou que investiga em conjunto com a Secretaria da Saúde do Piauí o caso de uma possível infecção de uma mulher de 35 anos. A paciente já recebeu alta.

A doença é silenciosa em 80% dos casos, tem poucos registros no Brasil e um nome diferenciado.

O primeiro registro médico data de 1937 na região de West Nile, ou Nilo Ocidental, em Uganda, na região central do continente africano. O local é próximo à nascente do Rio Nilo. À época, uma mulher apresentou sintomas da doença, a equipe médica isolou o vírus e descobriu que o caso não se tratava de febre amarela.

A doença então passou a ser conhecida como Febre do Nilo Ocidental por conta do local onde ocorreu o primeiro registro.

 

Apesar do nome, a Organização Mundial da Saúde indica que o vírus já está disseminado em todo o mundo.

O Ministério da Saúde explica que, para identificar a doença, é preciso fazer um exame de sangue ou do líquido cefalorraquidiano (ou líquor, presente no cérebro e na espinha dorsal), preferencialmente depois do quinto dia após o início dos sintomas para a identificação da presença de anticorpos da doença no paciente.

110 casos em 10 anos

O estudo “Transmissão ativa do vírus do Nilo Ocidental no Brasil: um estudo epidemiológico”, publicado na revista médica “The Lancet”, levantou dados da doença entre os anos de 2014 e 2024 no Brasil.

Num intervalo de dez anos, foram registrados 110 casos prováveis ou confirmados da doença em 59 municípios e em 13 estados brasileiros. O estudo indica que a maioria absoluta dos registros aconteceu no estado do Piauí, muito acima dos casos de Minas Gerais e São Paulo, que ocupam a segunda e terceira posição do ranking, respectivamente.

A pesquisa também afirma que houve registro da doença em todos os meses do ano, com maior pico entre maio e agosto. A maior parte dos pacientes afetados são do sexo feminino na faixa etária de 40 anos.

Entre os anos de 2018 e 2026, o Ministério da Saúde não dedicou nenhum Boletim Epidemiológico à doença. Os boletins servem para levantar e organizar informações de doenças que merecem mais atenção para combate por parte dos entes públicos e são usados, por exemplo, para monitorar os casos de outras arboviroses também transmitidas por mosquitos como a dengue, zika e chikungunya.

As autoridades brasileiras não elevaram a doença à condição de epidemia, mas monitoram os casos.

Ceará em 2023

O estudo também analisou dados específicos do estado do Ceará no ano de 2023. O estado teve 42,6% dos casos de todo o ano, com o maior número de casos do país na ocasião.

Foram identificados 561 pacientes com sintomas, sendo 68 confirmados com a Febre do Nilo Ocidental. No total, 36 pacientes apresentaram doença febril, 29 tiveram complicações neurológicas e foram registrados quatro óbitos.

Áreas de risco

De acordo com o Ministério da Saúde, as principais áreas de risco para contaminação da doença estão em espaços rurais e silvestres.

Esses locais são habitualmente frequentados por aves silvestres responsáveis pela transmissão do vírus aos mosquitos, principalmente os pernilongos que, por consequência, transmitem a doença aos seres humanos.

Sintomas

Na maioria dos casos, a infecção causa sintomas considerados leves, como febre, náusea, vômito e dor muscular. Porém, 1 entre 150 indivíduos podem desenvolver doenças neurológicas severas, como meningite, encefalite ou paralisia flácida aguda, segundo o Ministério da Saúde.

Os indivíduos também podem apresentar fraqueza, sintomas gastrointestinais e alteração no “padrão mental”.