Por que café pode te deixar ansioso? Veja como evitar essa reação
Bebida é uma das mais populares do mundo, mas não é tão inofensiva quanto parece

O Dia Mundial do Café, celebrado nesta terça-feira (14), evidencia a popularidade de uma bebida que é quase unânime nas manhãs de tantas pessoas pelo mundo. No entanto, apesar de parecer inofensivo, o café pode fazer mal a pessoas que possuem predisposição a terem episódios ansiosos e até mesmo crises de pânico.
À CNN Brasil, Keven Wiliam, psicólogo, coordenador e professor do curso de Psicologia da Universidade Anhembi Morumbi, explicou que existe uma relação direta entre o consumo de cafeína e a ansiedade. "É mais comum do que as pessoas imaginam", contou. "A cafeína é um estimulante do sistema nervoso central e ela pode ligar o corpo em um modo de alerta. O problema é que esse estado é muito parecido com a própria ansiedade", explicou.
O especialista afirmou que os efeitos são psicológicos e até mesmo físicos, principalmente em quem tem sensibilidade à substância. "Na prática, o que nós vemos é que as pessoas mais sensíveis, ou que já têm uma predisposição a quadros ansiosos, podem apresentar uma aceleração dos pensamentos, inquietação e até mesmo sintomas físicos, como o coração acelerado após consumir o café", detalhou.
"A ciência já reconhece isso. O DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5.ª edição), inclusive, descreve a ansiedade induzida por substâncias e apresenta a cafeína como um dos gatilhos para isso. Para algumas pessoas, o café não só acompanha a ansiedade, ele também pode amplificar a ansiedade que essa pessoa já tem", disse.
Keven William explicou que existe um ciclo vicioso que pode atingir pessoas que consomem café diariamente. "O café é uma bebida socialmente aceita, mas a cafeína presente nele não é inofensiva, principalmente quando consumida em excesso", declarou.
"Os efeitos vão desde alterações mais leves, até impactos mais significativos, tanto na saúde mental quanto na saúde física. Os principais efeitos são: a piora da ansiedade, irritabilidade, insônia e até a dificuldade de relaxar. Isso cria um ciclo que as pessoas que estudam a neurociência definem como algo bastante perigoso. A pessoa pode dormir mal, se sentir cansada e recorrer a ainda mais cafeína no dia seguinte para compensar esse estado que ela está naquele momento por conta do consumo excessivo do dia anterior", continuou.
Os efeitos podem atingir, além do campo mental da pessoa ansiosa, o que causa ainda mais preocupação. "Fisicamente pode ocorrer taquicardia, aumento da pressão arterial e tremores, e em alguns casos os sintomas podem ser tão intensos que se confundem com crises de pânico", avaliou.
Desmame difícil
A pessoa que possui vício em café pode sentir alguns efeitos quando decide diminuir o consumo ou até mesmo cortar completamente a cafeína de sua rotina. "Há alguns sinais de dependência leve, como sintomas relacionados a dores de cabeça e fadiga quando o sintoma é interrompido. Então, algumas pessoas relatam que, no processo de corte do café ou de redução drástica, elas sentem alguns sintomas que passam após um tempo, mas que podem aparecer", informou o psicólogo.
"No caso do café, a dose vai definir o efeito. Em pequenas quantidades, ele estimula e pode ser muito positivo para o dia a dia das pessoas; em excesso, ele pode desorganizar tanto o corpo quanto a mente", concluiu.


