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    Prática de tomar leite cru, disseminada no TikTok, pode causar problemas à saúde; entenda

    Venda de leite não pasteurizado é proibida no Brasil e pode causar tuberculose, brucelose, listeriose, além de irritações no estômago

    Tiktokers estão compartilhando vídeos tomando leite cru, mas o hábito pode trazer consequências adversas
    Tiktokers estão compartilhando vídeos tomando leite cru, mas o hábito pode trazer consequências adversas Freepik / Reprodução

    Rafael Farias Teixeiracolaboração para a CNN

    São Paulo

    Atualmente, muitas pessoas querem viver de uma forma mais saudável e por isso buscam uma alimentação mais natural, sem ultra-processados e consumir mais alimentos in natura, sem outros ingredientes e aditivos. Nesse contexto, uma tendência tem tomado conta do TikTok: a de consumir leite cru e seus derivados.

    Reunidos sob a tag #rawmilk (leite cru), com mais de 104 milhões de visualizações, os vídeos mostram pessoas consumindo leite não pasteurizado das mais diferentes formas e listando os diferentes benefícios desse hábito.

    Em um deles, o usuário Garett Bearenger afirma ter ido a outro estado comprar a bebida, já que no seu, Ohio, a venda de leite não pasteurizado é ilegal.

    @garettbearenger

    Replying to @user7621506608058 this is the way milk was meant to be drank #animalbased #realfood #wholefoods #rawmilk #rawdairy #healthyfood #animalbasednutrition #whatieat #whatieatinaday

    ♬ original sound – Garett Bearenger

    É o mesmo que acontece no Brasil. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, a venda de leite cru é proibida em todo o território nacional, pelo Decreto nº 923/1969.

    “O consumo de leite e seus derivados deve ser incentivado por se tratar de um grupo de alimentos ricos em nutrientes que compõem a dieta da população. Contudo, deve ser observado se os alimentos adquiridos possuem selo de inspeção municipal, estadual ou federal que asseguram ter controle sanitário”, alerta a auditora fiscal da Secretaria de Defesa Agropecuária, Mayara Pinto.

    “É imprescindível a aquisição de leite que tenha sido submetido ao processo de pasteurização, que fornece segurança ao produto e aos derivados.”

    O ministério afirma que o leite é um substrato ideal para o desenvolvimento de grupos de bactérias que podem causar danos graves à saúde pública. Entre as doenças que podem ser transmitidas pelo consumo de leite cru estão a tuberculose, brucelose, listeriose, salmonelose, yersiniose, campilobacteriose, infecção por Escherichia coli, entre outras.

    “Existem vários tipos de microorganismos patogênicos na glândula mamária da vaca, e no ambiente que ela está, dois deles são a Enterobacteriaceae (especialmente E. coli) e Streptococcus uberis. A primeira pode causar incômodo abdominal, dor ao urinar, sangue na urina ou febre baixa. Já a segunda, dor de garganta ou infecção cutânea leve”, explica Sergio Crós, nutricionista de São Paulo.

    “Além disso, o leite cru pode vir contaminado com pesticidas, micotoxinas [toxinas produzidas por fungos], antibióticos, corticoides e hormônios, todos prejudiciais para saúde humana e que podem alterar a microbiota intestinal”, explica a nutricionista Kheyt Fernandes, de São Paulo.

    “O consumo também pode aumentar a sensibilidade e as alergias à proteína do leite de vaca, pela presença da alfa-lactoalbumina e caseína, podendo trazer como consequências gastrite, cólica, distensão abdominal, esofagite, além de asma e rinite.”

    Na pasteurização o leite é submetido à temperatura de 72ºC a 75ºC por 15 a 20 segundos, inativando eventuais agentes patogênicos, sem contudo, esterilizá-lo, mantendo parte da população bacteriana e preservando a sua qualidade nutricional.

    O portal “Food Safety Brasil”, que reúne artigos sobre segurança de alimentos, explica que a corrente defensora do consumo do leite cru enumera vantagens como fortalecimento do sistema imune, sobretudo do leite orgânico proveniente de animais criados em pasto e alimentados com capim.

    Segundo os nutricionistas, essa busca por alimentos mais “limpos” pode ter sido o grande motivador da popularização da tendência.

    Kheyt afirma também que pode ser pela na elevada densidade nutricional. Já Crós alerta para a desinformação e o poder que as redes sociais têm de transformar alimentos difíceis de serem adquiridos como solução definitiva.

    “Isso pode gerar frustrações e ideias erradas sobre como ter uma vida saudável”, afirma.