“Precisamos avançar com urgência na vacinação das crianças”, diz pediatra

À CNN, Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), fala sobre a importância da imunização e rebate o que ele chama de "notícias equivocadas"

Ludmila Candalda CNN

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Um levantamento realizado pela CNN mostrou que 17 estados brasileiros que não irão pedir prescrição médica para vacinar crianças de 5 a 11 anos. Esse dado vai na contramão do que quer o Ministério da Saúde, que na última sexta-feira (24) publicou um documento afirmando que a imunização dessa faixa etária deverá ser realizada com a autorização dos pais ou responsáveis e com a apresentação do pedido médico.

Em entrevista ao CNN Novo Dia, nesta terça-feira (28), o pediatra Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), falou sobre a importância da vacinação e fez um apelo aos pais.

“As vacinas têm se mostrado extremamente seguras. O benefício da vacinação, com seus efeitos colaterais, supera o número de casos, de mortes e de hospitalizações”, afirmou.

Segundo ele, “vacinar as nossas crianças é uma necessidade”. “O mundo inteiro está fazendo isso. A medida que avançamos, reduzimos os riscos de novas ondas, de novas magnitudes da circulação do coronavírus”.

Renato afirma ainda que o aumento no número de casos entre crianças e adolescentes seria natural, pois está atingindo a população não imunizada. “Um terço das internações hoje na Itália está nessa faixa etária, nos Estados Unidos é um quarto”.

Renato declarou que entende também a preocupação dos pais, diante do que ele chama de “notícias equivocadas” que têm sido divulgadas na internet. “São notícias sem nenhuma evidência, colocando novamente o medo na população, afirmando que as vacinas são experimentais, que vão comprometer o futuro reprodutivo do seu filho, ou que vai algo mais grave vai acontecer.”

“E muita gente ainda fala: morre muito mais adultos do que crianças. Mas já tivemos mais de 2.500 mortes entre crianças e adolescentes. Entre 5 e 11 anos, 308 morreram”.

A importância da vacinação, para o pediatra, contudo não está apenas em evitar mortes. “Quando nós introduzimos uma vacina no calendário, queremos também evitar hospitalizações, sofrimentos, sequelas”, disse. “A sociedade brasileira de pediatria dá esse recado aos pais, vacinem seus filhos com tranquilidade, nós precisamos protege-los.”

Sobre o início da vacinação, ele afirma que o governo não terá vacinas suficientes para vacinar de maneira rápida todas as 20 milhões de crianças entre 5 e 11 anos do país. “As estimativas falam de 15 milhões de doses da Pfizer no primeiro semestre, que vamos escalonar de acordo com as prioridades. Há também um pedido para a Pfizer de trocar as vacinas de adultos que chegariam ao Brasil, por vacinas para crianças.”

Renato completa que hoje, após 7 bilhões de doses aplicadas em todo o mundo, “está mais do que confirmado a segurança e não a interferência” da vacina da Covid-19 tomadas concomitantemente com outros tipos de vacina, como a da gripe. “Essa é a vantagem que hoje nós dispomos, podemos vacinar as crianças com as doses da Covid e da Gripe. No começo, tínhamos uma restrição de 14 dias de intervalo, para checar se poderia interferir na resposta de imunização. É uma excelente oportunidade de atualizar o calendário vacinal.”

Cuidados básicos ajudam a prevenir a Covid-19 e a gripe:

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