Prematuros poderão ter acesso à proteção contra VSR o ano inteiro; entenda

Mudança obriga planos de saúde a cobrirem o medicamento nirsevimabe independentemente da sazonalidade do vírus

Gabriela Maraccini, da CNN Brasil
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Bebês prematuros atendidos por planos de saúde poderão ter acesso ao nirsevimabe, anticorpo usado para prevenção do VSR (vírus sincicial respiratório), durante todo o ano. A mudança foi aprovada pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e publicada no DOU (Diário Oficial da União) neste mês.

O VSR é o principal vírus causador da bronquiolite, uma infecção caracterizada pela inflamação dos bronquíolos — pequenas vias aéreas dos pulmões. A doença afeta, especialmente, bebês e crianças menores de dois anos e, em casos graves, pode levar à dificuldade de respirar e alteração do estado de consciência.

Anteriormente, os planos de saúde eram obrigados a dar acesso ao nirsevimabe no período de maior circulação do VSR, que costuma ocorrer no outono e inverno. Agora, a cobertura do medicamento não poderá mais ser restrita aos meses tradicionalmente associados ao pico de circulação do VSR.

Segundo a Resolução Normativa n.º 672, o medicamento deve ser disponibilizado para quaisquer crianças prematuras com idade inferior a 1 ano, independentemente da sazonalidade do vírus.

O que é nirsevimabe?

O nirsevimabe é um anticorpo específico contra o VSR e atua na prevenção de formas graves da infecção pelo vírus em bebês. O medicamento é indicado para todos os recém-nascidos e crianças de até 2 anos de idade que permanecerem vulneráveis à forma grave da infecção pelo vírus, como aquelas com:

  • doença pulmonar crônica da prematuridade;
  • imunocomprometimento grave;
  • fibrose cística;
  • cardiopatias congênitas não corrigidas com repercussão hemodinâmica;
  • síndrome de Down.

O que é bronquiolite?

A bronquiolite é uma doença respiratória que afeta crianças menores de dois anos e é caracterizada pela inflamação dos bronquíolos, pequenas vias aéreas dos pulmões. Segundo o Ministério da Saúde, 80% dos casos da doença são causados pelo VSR, mas outros vírus podem desencadeá-la, como adenovírus, parainfluenza, influenza, rinovírus, entre outros.

Os principais sintomas são:

  • Coriza;
  • Tosse;
  • Espirros;
  • Febre;
  • Obstrução nasal;
  • Chiado no peito;
  • Respiração rápida ou dificuldade de respirar.

Em casos graves, a doença pode evoluir para SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave), com dificuldade para se alimentar e respiração, cianose (pele e lábios azulados), apneia, vômitos, sonolência e/ou irritabilidade.

A proteção de bebês recém-nascidos contra o VSR também pode ser feita por meio da vacinação para gestantes, disponível no SUS (Sistema Único de Saúde).

A vacina é aplicada em dose única a partir da 28ª semana de gestação. Após a vacinação, a gestante produz anticorpos que são transferidos para o bebê por meio da placenta, conferindo proteção passiva ao recém-nascido.