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    Presidente da Anvisa compara crise dos yanomami com Holocausto

    Secretário-executivo do Ministério da Saúde diz que soluções da crise servirão para ações em outras áreas

    Atendimento no primeiro dia da Força Nacional do SUS na comunidade Yanomami
    Atendimento no primeiro dia da Força Nacional do SUS na comunidade Yanomami Igor Evangelista/MS

    Jéssica MouraEmanuelle Leonesda CNN

    em Brasília

    O presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, comparou a crise dos yanomami com o Holocausto que ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial.

    Ainda com tristeza quero citar as outras cenas tão tristes e tão terríveis que nos remontaram. As cenas que só víamos nos documentários, também da Segunda Guerra Mundial nas cenas do Holocausto. Vemos nessas cenas pessoas com ossos cobertos apenas por pele e vimos que isso acontece no nosso próprio país, como isso chegou a esse ponto?

    Antonio Barra Torres, diretor-presidente da Anvisa

    A fala aconteceu durante a primeira reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT) de 2023, que discutiu ações e políticas públicas da saúde entre o governo federal e representantes de municípios.

    O Ministério da Saúde declarou, no sábado (21), Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional devido à “necessidade de combate à desassistência sanitária dos povos que vivem no território yanomami”, em Roraima. Conforme apontou a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, 570 indígenas yanomami morreram de desnutrição ao longo dos últimos quatro anos.

    A ministra da Saúde, Nísia Trindade, afirmou que havia uma política de abandono indígena no país.

    “Abandono é uma política, é isso que vemos, infelizmente, em relação à questão indígena, e tantas outras”, declarou durante o encontro da comissão.

    Ainda no mesmo evento, o secretário-executivo da pasta, Swedenberger Barbosa, afirmou que as medidas adotadas para solucionar a crise que assola a população yanomami, em Roraima, devem servir de diretriz para outras ações do Ministério da Saúde frente a situações emergenciais.

    “Estamos trabalhando de maneira integrada para resolver e minimizar esse sofrimento, mas há uma preocupação com a região de um modo geral”, disse o secretário. “Isso que estamos fazendo para a situação dos yanomami vale para várias outras situações emergenciais que nós encontramos no país, como a vacinação”, prosseguiu.

    De acordo com o governo cerca de 30,4 mil pessoas que vivem no território yanomami sofrem com casos de desnutrição, além de casos de malária e de infecção respiratória aguda.

    Barbosa participou nesta quinta-feira (26) da primeira reunião intergestores tripartite, que reuniu representantes do governo federal, estados e municípios. A ministra Nísia Trindade também esteve no encontro.

    O compromisso da pasta é que as políticas públicas adotadas pelo ministério sejam definidas em acordo com os entes da federação. “Vamos atuar no sentido oposto do que vinha ocorrendo até agora. Nós vamos agir com base na ciência para salvar vidas, fortalecer o SUS e as políticas públicas de interesse da população”, disse o secretário.

    Uma das promessas é que o governo federal vai dispensar atenção especial aos estados da Amazônia. “Vamos tratar a Amazônia de forma diferente, expandir essa experiência para regiões remotas de difícil fixação”, disse o secretário de Atenção Especializada, Helvécio Miranda.

    “O governo vai trabalhar de maneira matricial e articulada. Há uma orientação por parte do presidente Lula e da Casa Civil para que os ministérios se conversem bastante, e a Casa Civil está chamando para as diferentes temáticas, como: desenvolvimento, situação econômica, mobilidade, saúde, segurança e outras pautas”, acrescentou Barbosa.