Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Probabilidade de mulheres negras fazerem aborto é 46% maior do que para brancas, diz Fiocruz

    Pesquisa é divulgada em meio a discussão do Supremo Tribunal Federal sobre possibilidade de descriminalização do aborto

    Mulheres brancas têm menor probabilidade de fazer aborto, segundo estudo da Fiocruz
    Mulheres brancas têm menor probabilidade de fazer aborto, segundo estudo da Fiocruz Foto: Divulgação / Pixabay

    Rafaela Cascardoda CNN

    Rio de Janeiro

    Mulheres negras têm probabilidade 46% maior de fazer um aborto, em todas as idades, em relação a mulheres brancas, segundo um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com outros órgãos.

    O número significa que, para cada 10 mulheres brancas que fizerem aborto, haverá, aproximadamente, 15 mulheres negras.

    O levantamento indica ainda que, ao chegar aos 40 anos de idade:

    • uma em cada cinco mulheres negras terá feito ao menos um aborto;
    • entre mulheres brancas, será uma em cada sete.

    “Existem desigualdades raciais em todas as edições da PNA [Pesquisa Nacional de Aborto]. São sempre as mulheres negras que mais realizam abortos. São sempre as mulheres negras as mais vulneráveis ao aborto e, consequentemente, ao aborto inseguro”, reflete a pesquisadora Emanuelle Góes, uma das autoras do estudo.

    A pesquisa foi feita com uma amostra de mulheres de 18 a 39 anos de idade, gerada a partir de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

    O levantamento utilizou a técnica da coleta de dados através de urna, em que a entrevistada preenche um formulário com questões sensíveis e o deposita em um recipiente fechado.

    VÍDEO – Oposição se movimenta contra aborto e casamento gay

    A análise também foi baseada na Pesquisa Nacional de Aborto (PNA), realizada nos anos de 2016, 2019 e 2021, e divulgada na terça-feira (26).

    Os levantamentos dos anos de 2016 e 2021 cobrem todo o Brasil urbano; já o de 2019 tem dados apenas da área urbana da região Nordeste.

    Não foi possível dizer muito sobre as mulheres indígenas e amarelas (asiáticas), pois, segundo a Fiocruz, o número dessas mulheres nas amostras não é grande. A maior parte dos resultados das comparações que as inclui é vulnerável a flutuações puramente estatísticas.

    A pesquisa foi publicada na revista Ciência e Saúde Coletiva da Abrasco, com coautoria de Góes, da Fiocruz Bahia, e de pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade de Columbia, dos Estados Unidos.

    Descriminalização do aborto

    Na última sexta-feira (22), a presidente do Supremo Tribunal Federal, Rosa Weber, votou pela descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação.

    O voto da ministra, que vai se aposentar esta semana, diz que o aborto é uma questão de saúde pública e reprodutiva da mulher. O tema ainda será retomado em julgamento no plenário físico do STF.

    Atualmente, o aborto só é permitido no Brasil em três condições:

    • em caso de estupro,
    • de risco para a vida da gestante,
    • e de fetos anencéfalos.

    Posição da Fiocruz

    A Fiocruz diz acreditar que a criminalização impede que as mulheres acessem os serviços de saúde público e privados para realizar aborto.

    Como consequência a isso, mulheres usam métodos inseguros para abortar, ficando expostas a riscos desnecessários.

    A criminalização, segundo a fundação, também impediria o debate que poderia ajudar na prevenção do aborto.

    “O problema fundamental é que o aborto é tratado como um crime. A criminalização restringe o acesso das mulheres ao sistema de saúde antes do aborto, pois não é disponível, e depois do aborto, por medo de denúncias e represálias”, dizem os autores do estudo.

    VÍDEO – Saiba se voto de Rosa Weber sobre o aborto ainda valerá após aposentadoria do STF

    Tópicos

    Tópicos