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    Profissionais de saúde relatam autoisolamento longe da família durante pandemia

    Sem pegar filho no colo há um mês ou ver os pais, profissionais na linha de frente do combate à COVID-19 contam sobre nova rotina pessoal

    Débora Freitas

    da CNN, em São Paulo

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    O Brasil tem cerca de 5 milhões de profissionais que atuam na área da saúde e grande parte deles se expõe diariamente ao novo coronavírus com a missão de salvar vidas. São médicos, enfermeiros, auxiliares, motoristas de ambulâncias e muitas outras funções que colocam em risco a própria vida para garantir as dos demais.

    Muitos desses profissinais se autoisolaram das famílias de forma preventiva. A CNN conversou com quatro deles e compartilha suas histórias abaixo.

    Ana Paula Okuda, fisioterapeuta

    Ana Paula está longe dos filhos há mais de 30 dias. Com medo de passar o novo coronavírus para as crianças, ela e o marido decidiram mandá-los para a casa dos avôs. “Foi muito difícil pra gente, mas isolamos nossos filhos com nossos pais sem nem saber quando os veríamos e, num pior cenário, se os veríamos novamente”, disse.
     
    Para matar as saudades e continuar acompanhando a educação dos filhos, a fisioterapeuta faz videochamadas diariamente. “A gente tenta participar de algumas refeições com eles, marcamos horários quando eles estão comendo e tentamos comer junto. As lições [da escola] também estamos acompanhando. Tentamos mostrar pra eles que a vida continua, apesar disso tudo que está acontecendo.”

    Sidnei Pereira, enfermeiro de pronto-socorro

    Na linha de frente do combate ao novo coronavírus, estar afastado dos pais é que mais afeta Pereira. “Isso é o que mais dói para mim, como profissional da saúde e como filho.” 

    O enfermeiro também compartilhou a dificuldade em ver colegas de profissão adoecerem com a COVID-19 e, apesar disso, se mantém confiante com o futuro.

    “[É preciso] ter em mente que nada disso é por acaso. Tudo isso vai servir para que famílias se unam, para que pessoas que tinham determinados pensamentos possam voltar atrás. Pensar não só na questão de precuação, mas na familiar, no carinho, respeito e afeto”, concluiu.

     Ítalo Bonatto, pneumologista

    Com um bebê em casa, o pneumologista Ítalo Bonatto não pega o filho no colo desde o início de março. “É o meu primeiro filho e todos os dias é uma nova descoberta, é algo novo que ele faz, uma risadinha diferente. É difícil querer abraçar, dar um cheirinho nele e não poder”, contou.

    O médico mantém as medidas preventivas mesmo dentro de casa. “Fico de máscara o tempo inteiro para preservar a vida dele e da minha esposa. Até mesmo dentro de casa a gente se conversa por vídeo porque eu chego, cumprimento e vou pro meu quarto.”

    Ronaldo Macário, motorista de ambulância

    Também afastado da mãe, Macário disse que tem medo de passar a COVID-19 para ela ou estar contaminado assintomático sem saber.

    No dia a dia, o atendimento às pessoas também mudou. “A gente tem que fazer uma preparação maior para poder ir atender esses pacientes, colocando mais equipamentos e acessórios para proteção individual de cada condutor.”

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