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    Quase 40% das pessoas que usavam PrEP abandonaram a prevenção ao HIV, aponta levantamento

    Cerca de 24,8 mil pessoas abandonaram o método que combina dois medicamentos antirretrovirais na prevenção ao contágio pelo vírus

    Medicamentos antirretrovirais (tenofovir + entricitabina) são utilizados na prevenção ao HIV
    Medicamentos antirretrovirais (tenofovir + entricitabina) são utilizados na prevenção ao HIV Matheus Oliveira/Saúde-DF

    Lucas Rochada CNNDaniel Itoda Agência Brasil

    em São Paulo e em Brasília

    De todas as pessoas que iniciaram o uso da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), 39% descontinuaram esse tipo de prevenção contra o HIV. Os números do Painel Prep, vinculado ao Ministério da Saúde, abrangem o período compreendido entre 2018 e 2022.

    A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) é indicada para pessoas que não vivem com o HIV. A utilização diária de uma combinação de dois medicamentos antirretrovirais (tenofovir + entricitabina), que apresentam composição similar aos utilizados no tratamento do vírus, reduz em mais de 90% as chances de uma pessoa se infectar quando exposta ao HIV.

    Os números do Ministério da Saúde mostram que desde 2018, 64 mil pessoas iniciaram o uso da profilaxia pré-exposição. Desse total, cerca de 24,8 mil pessoas abandonaram esse método de prevenção.

    Para o infectologista José Valdez Ramalho Madruga, coordenador do Comitê de Aids da Sociedade Brasileira de Infectologia, a descontinuação do uso pode ser explicado por fatores sociais e comportamentais como o início de um relacionamento estável.

    O médico da Sociedade Brasileira de Infectologia também afirma que as pessoas estão perdendo o medo do HIV devido à eficácia dos tratamentos que estão disponíveis atualmente.

    No entanto, o infectologista ressalta que ainda não existe uma cura definitiva para o vírus. Por isso, a profilaxia pré-exposição ainda é uma opção eficaz para quem busca se prevenir contra a infecção.

    A retirada dos medicamentos da PrEP é condicionada às consultas regulares aos serviços de saúde. Por isso, a cada três meses, devem ser realizados exames de acompanhamento que verificam a reação aos medicamentos, além de testes para HIV, sífilis e hepatites B e C.

    Como funciona a PrEP

    O medicamento começa a fazer efeito entre 7 e 20 dias de uso, dependendo do tipo de relação sexual. A PrEP é disponibilizada de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O medicamento pode ser comprado na rede privada, com o nome comercial de truvada, somente com prescrição médica.

    Segundo o Ministério da Saúde, os públicos prioritários para a PrEP são as populações-chave, que apresentam risco mais elevado para a infecção, como gays e outros homens que fazem sexo com homens (terminologia adotada pela pasta, que inclui bissexuais e homens que não se identificam como gays), pessoas trans, trabalhadores do sexo e casais sorodiferentes (quando um vive com HIV e o outro não).

    Os especialistas também recomendam o uso para pessoas que adotam comportamentos que potencializam os riscos da infecção, o que inclui deixar de usar camisinha de forma frequente, ter relações sexuais sem preservativo com pessoas com HIV que não estejam em tratamento, apresentar ISTs com frequência e fazer uso repetido da Profilaxia Pós-Exposição ao HIV.