Quase metade das cidades brasileiras tem problemas para armazenar vacinas

Geladeira equipada é fundamental para garantir a segurança da vacina e diminuir a perda de doses

Ana Lícia Soares, da CNN, no Rio de Janeiro

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Quarenta por cento das cidades do país não têm geladeira com medição de temperatura e alarme em boas condições, equipamentos fundamentais para armazenar vacinas contra a Covid-19 e diminuir o risco de perda de doses, segundo dados inéditos de uma pesquisa realizada pelo Movimento Unidos Pela Vacina e Instituto Locomotiva e feita com secretários de Saúde de 5.569 municípios. 

Um quinto das cidades não tem acesso à internet para o registro da vacinação contra a Covid-19. Dezenove por cento dos postos não têm internet para o registro de imunização; 12% deles sequer possuem computador. Quinze por cento apontam a necessidade de equipar as salas com itens como pia com água, sabonete e papel toalha. 

Em 35% dos municípios, foi constatado que a sala de vacinação precisa de adequações. 

“Nem todos os postos de saúde estão em condições básicas. Alguns municípios são impressionantes em relação a estrutura, mas ao mesmo tempo existe um desafio por uma vacina. Com esses dados, precisamos ver como que a iniciativa privada consegue ajudar as secretarias de saúde”, afirma o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles.  

Vacinação contra Covid-19 na quadra do Cacique de Ramos, no Rio de Janeiro
Vacinação contra Covid-19 na quadra do Cacique de Ramos, no Rio de Janeiro
Foto: Alexandre Silva/Fotoarena/Estadão Conteúdo (9.abr.2021)

 

Dois a cada três municípios dizem ter sido muito afetados pelo novo coronavírus. Quanto maior o município, maior o impacto. 

“O SUS tem necessidades novas por ser uma vacinação única, onde você tem que vacinar rápido. O SUS é uma grande maravilhosa surpresa no Brasil. Em todos os lugares os SUS é igual. Não importa se é um estado menos privilegiado, mais privilegiado. O SUS é tudo igual.”, afirma Maria Fernanda Teixeira, CEO da Ferena,

A falta de imunizante, no entanto, é apontada por 47% dos secretários municipais como o principal desafio para a acelerar o ritmo da vacinação. Os que consideram que terão vacinado todos os munícipes até setembro deste ano somam 16%. Noventa e nove por cento das cidades previram vacinação em domicílio e 67% organizaram postos volantes ou sistema do tipo drive-thru. 

O estudo aponta, ainda, que a imunização aos fins de semana precisa melhorar: 48% das cidades contam com unidades abertas sábados e domingos. 

Quanto às medidas de prevenção à doença, 98% dos municípios tornaram o uso de máscara obrigatório, 97% realizam campanhas educativas sobre o distanciamento social e 86% adotam restrições para o horário de funcionamento de estabelecimentos e de serviços não essenciais. 

Ainda assim, 54% dos municípios apontam a necessidade de campanhas de incentivo para adesão às medidas adotadas. É que nessas cidades, metade ou menos da população está seguindo as recomendações. Nos municípios do Nordeste, 61% afirmam que metade ou menos da população segue as medidas recomendadas.

As entrevistas foram feitas entre 22 de fevereiro e 12 de abril.

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