Reabrir hospitais de campanha não resolveria colapso da saúde, avalia médico

Infectologista e pesquisador da Fiocruz, Júlio Croda diz que necessidade de leitos de UTI para pacientes graves não seria suprida por instalações temporários

Da CNN, em São Paulo

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O colapso no sistema da saúde pública nacional não pode ser resolvido com a reabertura dos hospitais de campanha, segundo avaliação do infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Júlio Croda. 

Em entrevista à CNN nesta quarta-feira (3), o médico explicou que instalações temporárias já demonstraram, no passado, que não conseguem suprir a demanda de casos graves dos pacientes de Covid-19.

“O grande problema são os leitos de terapia intensiva, que a gente não consegue abrir com hospital de campanha”, afirmou Croda. “Já tivemos essa experiência e o que vimos foi o superfaturamento desses hospitais sem uma efetiva resposta adequada em números de leitos de UTI”, detalhou.

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) sinalizou ao governo federal que em vez de reabrir os hospitais de campanha o ideal é abrir novos leitos de UTI em serviços existentes, apontou Croda.

No início da semana, o Conass divulgou uma carta aberta ao Ministério da Saúde em que pede medidas mais duras para conter o agravamento da pandemia da Covid-19 no país.

Leitos de UTI e enfermaria para Covid-19 em hospitais do interior de SP (18.dez.
Hospitais de campanha não conseguem montar leitos de UTI adequados para o tratamento da Covid-19; na imagem, UTI de unidade do interior de SP (18.dez.2020)
Foto: Reprodução/CNN

Para o infectologista, a soma do afrouxamento das medidas preventivas com aglomerações constantes e uma campanha de vacinação que engatinha resulta no pior momento da pandemia do novo coronavírus no Brasil. Na terça-feira (2), o país quebrou o recorde de mortes registradas em 24 horas pela doença.

“A velocidade de crescimento do número de casos e a necessidade de internação está muito mais rápida do que nosso ritmo de vacinação, principalmente nos idosos, que são 80% das pessoas admitidas em leitos de UTI”, completou Croda.

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