Reino Unido, África e Brasil: novas cepas têm semelhanças nas mutações

Três variantes do novo coronavírus foram identificadas em todo o mundo

Exame confirmou a presença da nova variante do coronavírus
Exame confirmou a presença da nova variante do coronavírus Foto: Ernesto Carriço/Enquadrar/Estadão Conteúdo

Will Marinho, da CNN, em São Paulo

Ouvir notícia

Além da variante do novo coronavírus identificada no Reino Unido, duas outras cepas foram encontradas em outros países: uma na África do Sul e outra no Brasil. “As três variações, embora diferentes, possuem semelhanças em suas mutações”, diz o imunologista e professor universitário Eduardo Nolasco

“Essa linhagem brasileira chamada de P1 tem três mutações idênticas à da variante da África do Sul e uma dessas mutações está presente também na cepa inglesa”, explica.

As linhagens também têm características específicas que aumentam a transmissibilidade do vírus.

“A mutação N501Y, que está na linhagem inglesa, na brasileira e na africana confere um maior poder de transmissão do vírus porque facilita sua chegada às células pulmonares. Já a mutação E484 – presente na linhagem africana e brasileira – parece favorecer que o vírus escape dos anticorpos”, contextualiza o imunologista.

Reinfecção

A variante brasileira da Covid-19 encontrada em Manaus também trouxe um alerta: a possibilidade dessa cepa acelerar as reinfecções pelo vírus.

“Isso porque a mutação N501Y presente nas três cepas pode também ter maior resistência aos anticorpos neutralizantes. O que pode favorecer a reinfecção. Já temos um caso registrado de uma paciente em Manaus com essa linhagem”, diz Nolasco.

O caso citado pelo imunologista é de uma mulher que contraiu o vírus em março de 2020 com o quadro moderado. Em dezembro do mesmo ano, ela apresentou os mesmos sintomas, dias após ter ido a uma festa. Os exames então confirmaram positivo para a Covid-19;

Velocidade de transformação

Embora seja transmitido de forma muito rápida, o novo coronavírus “muda de forma mais lenta”, de acordo com Nolasco.

“O Sars-Cov2 é um vírus que não tem uma taxa de mutação muito rápida. Ele consegue acumular entre uma ou duas mutações por mês. O vírus Influenza, da gripe, muda a cada 15 dias. O HIV tem uma mutação a cada 24h. Quando comparado aos demais, o novo coronavírus é mais lento que os outros vírus”, comenta.

Vacinação

Na corrida contra o tempo para combater o novo coronavírus, o Reino Unido e o Brasil já começaram o processo de imunização. 

Os britânicos foram os primeiros do mundo a começar a vacinação. Em dezembro de 2020, Margaret Keenan, uma britânica de 90 anos, tornou-se a primeira pessoa vacinada contra a Covid-19 fora de um ensaio clínico.

No Brasil, após a aprovação do uso emergencial pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos, foi a primeira pessoa a ser vacinada contra a Covid-19 no Brasil.

Ela recebeu o imunizante Coronavac, no Hospital das Clínicas de São Paulo, no domingo (17).

Para Nolasco, a vacinação pode combater também as novas variantes.

“Sim. Os anticorpos induzidos pela vacina atuam bloqueando [no novo coronavírus] a proteína que ele usa para entrar na célula [a proteína S]. E estimula também a produção de células T, que atacam as nossas células que já foram infectadas. Com base nisso, a vacinação também é um mecanismo eficiente contra esta nova cepa”, enfatiza.

 

Mais Recentes da CNN