Resultado divulgado da vacina russa é apenas da fase 1, lembra cientista
Doutora em microbiologia pela Universidade de São Paulo, Natália Pasternak, também lamentou fala do governo sobre a obrigatoriedade da vacinação
A publicação pela revista científica The Lancet sobre os primeiros testes da vacina russa contra o novo coronavírus, a Sputnik 5, gerou dúvidas em relação à verdadeira fase de desenvolvimento do do medicamento.
Em entrevista à CNN, a doutora em microbiologia pela Universidade de São Paulo, Natália Pasternak, explica que os resultados publicados ainda são da fase 1 e que a vacina ainda está longe de ter sua segurança comprovada.
“Os resultados publicados na The Lancet são de fase 1, o que significa que ela é promissora e uma boa candidata para as fases 2 e 3, onde estão as vacinas de Oxford, Sinovac, Pfizer e Moderna. Por enquanto os resultados vieram de testes com um grupo pequeno de pessoas que mostrou a segurança do medicamento,” disse a doutora.
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“Seria interessante que a Sputnik realizasse uma fase 2 mais robusta, com uma população maior e mais heterogênea antes de partir para a fase 3. Mas pelo que entendi eles irão combinar as fases 2 e 3, realizando os testes ao mesmo tempo.”
Vacinação no Brasil
A doutora também foi questionada sobre a declaração do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), reverberada pela Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom), de que a vacinação não será obrigatória no Brasil.
Ela classificou as falas antivacina como “infelizes” e disse que a comunicação oficial deveria ser usada de outra forma.
“Foi uma frase infeliz do presidente e mais infeliz foi a atitude da Secom em reafirmar isso através da comunicação oficial do governo. Eles deveriam usar esse espaço para comunicar abertamente sobre a segurança e a necessidade da vacina e fazer uma boa campanha de conscientização. As vacinas são a melhor estratégia de saúde pública para a prevenção de doenças.”