Rio faz ação no Dia Mundial de Combate à Aids ao som de Cazuza

Praça que leva o nome do artista contou com apresentações musicais e leitura de poemas; mãe do cantor compareceu e reforçou a importância da prevenção; país tem 730 mil pessoas com HIV

Lucinha Araújo, mãe de Cazuza, no Rio de Janeiro
Lucinha Araújo, mãe de Cazuza, no Rio de Janeiro Marcela Monteiro/CNN

Marcela Monteiroda CNN

Rio de Janeiro

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O Dia Mundial de Combate à Aids tem programação especial no Rio de Janeiro. O objetivo é chamar a atenção para a importância da prevenção e do diagnóstico da doença. A praça Cazuza, na zona sul da cidade, teve, nesta quarta-feira (1º), apresentações musicais, leitura de poemas e discursos sobre o tema.

De acordo com o Ministério da Saúde, o país tem hoje, aproximadamente, 730 mil pessoas com HIV fazendo terapia antirretroviral em unidades da rede pública.

Lucinha Araújo, mãe de Cazuza (artista que morreu aos 32 anos em decorrência da Aids) acompanhou de perto a performance do elenco do musical “Cazas de Cazuza” e aproveitou o momento para reforçar a importância dos cuidados.

“As pessoas sabem como não pegar Aids. O câncer, por exemplo, existe há cem anos…eu mesma tive. E ninguém sabe como pega. A Aids não, você pode evitar é só se cuidar”, alertou.

Lucinha ainda disse que viu progresso no combate da doença quando patentes de medicamentos começaram a ser quebradas em 2001. Mas para ela o caminho ainda é longo.

“Acho que o que melhorou foi a quebra de patentes, há muitos anos. Abriu-se o universo dos retrovirais, mas acho que a cura está muito longe. Infelizmente. A Aids saiu de moda, a verdade é essa. As pessoas esquecerem dessa doença porque hoje as pessoas ficam com uma boa aparência, então esqueceram como é que é ter essa doença e morrer com ela. Todo mundo vê a figura do meu filho, que se expôs, mas isso não foi suficiente infelizmente”, lamentou.

A praça Cazuza conta com uma estátua do cantor. Os óculos da escultura foram roubados há alguns dias e recolocados para os eventos de hoje. O ato de vandalismo não afetou o bom humor de Lucinha.

“Surrupiaram. Mas acho que ele (Cazuza) deve ter ficado feliz, deve ter dito: surrupiaram os do Drummond (poeta Carlos Drummond de Andrade) e agora o meu também. Ele era fã do Drummond, quando era mais novo andava atrás dele na rua. Eu falava para ter cuidado para não atrapalhar e ele respondia que só queria beber da sabedoria de Drummond”, relembrou.

A capital fluminense também começou hoje uma campanha de testagem em massa de HIV. Para completar as homenagens às vítimas e o incentivo ao diagnóstico, pontos turísticos como o Cristo Redentor e os Arcos da Lapa serão iluminados de vermelho a fim de chamar a atenção para a questão.

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