Risco de morte por Covid é 40 vezes mais alto que coágulo por vacina da Johnson

CDC recebeu relatos de 28 pessoas que desenvolveram síndrome de coagulação sanguínea rara nos Estados Unidos após receberem imunizante da Johnson & Johnson

Vacina Johnson & Johnson/Janssen
Vacina Johnson & Johnson/Janssen Foto: Saulo Angelo/Futura Press/Estadão Conteúdo

Deidre McPhillips e Maggie Fox, da CNN

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O risco de morrer de Covid-19 é 40 vezes mais alto que o risco de desenvolver coágulos sanguíneos raros após a imunização com a vacina Johnson & Johnson, mostra uma análise da CNN.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) afirmaram, na quarta-feira (12), que receberam relatos de 28 pessoas que desenvolveram uma síndrome de coagulação sanguínea rara, entre as 8,7 milhões que receberam a vacina contra o coronavírus da farmacêutica. Três delas morreram da doença, conhecida como síndrome de trombose com trombocitopenia.

No mesmo período – 2 de março a 7 de maio – mais de 2,2 milhões de pessoas foram diagnosticadas com Covid-19 e mais de 43 mil morreram, de acordo com dados da Universidade Johns Hopkins.

Em um grupo de cerca de 8,7 milhões de pessoas, isso chega a quase 59 mil novos casos de Covid-19 relatados nos últimos dois meses, e quase 1.150 novas mortes pela doença, mais de 40 vezes o número de casos relatados e confirmados de síndrome de trombose com trombocitopenia.

As chances de uma pessoa que recebeu a vacina Johnson & Johnson desenvolver a síndrome são menores que uma em 300 mil, de acordo com dados do CDC. Porém, nos últimos dois meses, cerca de um em cada 7.600 americanos morreu de Covid-19.

O CDC afirmou que a síndrome de trombose com trombocitopenia está plausivelmente ligada à vacina Johnson & Johnson, mas disse que os benefícios do imunizante superam o risco. Todos os casos foram observados em pessoas de 18 a 59 anos.

“A maioria desses casos de síndrome de trombose com trombocitopenia está ocorrendo na faixa etária de 30 a 49 anos”, disse o especialista Tom Shimabukuro, do CDC, em uma reunião do Comitê Consultivo em Práticas de Imunização (ACIP, na sigla em inglês), do CDC.

Embora a maioria das ocorrências seja entre mulheres, seis casos foram relatados entre homens, disse Shimabukuro. Ele afirmou que 19 tinham um tipo de coágulo sanguíneo cerebral chamado trombose do seio venoso cerebral, enquanto outros tinham diferentes tipos de coágulos sanguíneos.

O CDC alertou médicos e pacientes sobre a possibilidade da complicação, para que ela seja reconhecida e tratada de forma pronta e adequada. “Não houve nenhum caso com distúrbio de coagulação conhecido ou documentado”, disse Shimabukuro. Isso indica que é difícil prever quem pode desenvolver a doença.

“É importante reconhecer a síndrome de trombose com trombocitopenia precocemente e iniciar o tratamento adequado”, acrescentou. “A síndrome é uma condição rara, clinicamente grave e com risco de vida”.

A síndrome de trombose com trombocitopenia também foi associada à vacina da AstraZeneca, que não está autorizada para uso nos Estados Unidos, mas é  utilizada no Brasil, no Reino Unido e na Europa.

(Texto traduzido, leia original em inglês)

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