RJ: Após 5 meses de suspensão, cirurgias bariátricas são retomadas pelo governo

Obesidade é um dos fatores de risco para pacientes com o coronavírus

Leito de UTI no Rio de Janeiro
Leito de UTI no Rio de Janeiro Foto: Divulgação/Prefeitura do Rio

Thayana Araújo, Cleber Rodrigues e Isabelle Resende, da CNN, no Rio de Janeiro

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Desde o início da pandemia de Covid-19, estudos científicos alertam para os fatores que tornam a doença mortal para determinados grupos de pessoas, entre eles, os obesos. Segundo os cientistas, a composição corporal desempenha um grande papel na resposta imunológica ao vírus. No estado do Rio de Janeiro, cerca de 6 mil pessoas aguardam na fila para realizar uma cirurgia bariátrica e, consequentemente, reduzir as chances de agravar o estado de saúde em caso de infecção pelo novo coronavírus.

Nesta quinta-feira (7), o estado do Rio de Janeiro retomou as cirurgias bariátricas suspensas desde agosto do ano passado por questões contratuais, desde então, muitas pessoas ficaram prejudicadas com a paralisação. Um dos maiores programas públicos desse tipo de procedimento no país tem hoje cerca de 6 mil pacientes na fila a espera por uma consulta ou atendimento. Desses, 47 estão aptos a fazer a cirurgia.
Por causa da pandemia do coronavírus, a retomada das cirurgias será feita de maneira escalonada.

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Desde o início da pandemia global, estudos científicos descobriram que pacientes mais gordos atingidos pela Covid-19 tinham maior probabilidade de morrer do que pacientes mais magros. As pesquisas descobriram que a obesidade era o fator mais importante para a hospitalização ou não de um paciente após a infecção pelo novo coronavírus. A composição corporal desempenhou um grande papel na resposta de cada indivíduo ao Covid-19.

O programa volta a ser realizado em parceria com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, que opera 100% dos pacientes através do método vide laparoscópico e é um dos menos invasivos para as pacientes. A cirurgia dura em média 40 minutos e no outro dia o paciente vai para casa.

O Hospital Estadual Carlos Chagas, na zona Norte do Rio, é o único no território fluminense preparado atualmente para receber pacientes obesos mórbidos, com camas mais resistentes, vasos sanitários e balanças especiais que aguentam mais de 200 kg, além de um tomógrafo que tem uma abertura maior.

A CNN conversou com exclusividade com as três primeiras pacientes a realizarem o procedimento, após a retomada do serviço. Rafaela Abrantes, que mora em São Pedro da Aldeia, na Região das Lagos, entrou para a fila da cirurgia em 2017. A vendedora tem diabetes e ficou cega de um dos olhos. A doença é uma das principais complicações causadas pela obesidade.

“Tenho uma filha de oito anos, que quer brincar e muitas vezes eu não posso. Me falta energia. Por isso, considero a bariátrica um recomeço”, celebrou ela.

Na nova licitação, pretende-se reduzir o custo unitário da cirurgia para aumentar o número de pacientes atendidos. A secretaria estabelecerá um cronograma para abertura dos novos polos e estratégia para zerar a fila de obesos mórbidos em conjunto com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (Sbcbm). A Secretaria Estadual de Saúde garante que nenhum paciente deixará de ser atendido. Atualmente, cerca de 5.860 pessoas aguardam consulta no ambulatório de cirurgia bariátrica para saber se têm indicação de cirurgia ou de tratamento não cirúrgico.

“A nossa ideia é criar vários núcleos do estado para poder operar os pacientes, descentralizando o atendimento da capital. O objetivo é fazer até 120 cirurgias/mês, quatro vezes mais do que era realizado no contrato anterior”, disse Gustavo Campos, subsecretário de unidades próprias/RJ.

De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, Fábio Viegas, além de reduzir em 98% os casos de diabetes, as cirurgias bariátricas também diminuem o risco de complicações graves pela Covid-19 e outras comorbidades.

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