Saúde valida imunização de vacinados com lotes de Coronavac suspensos pela Anvisa

Imunizados com vacinas de fábrica chinesa não vistoriada pela Anvisa não precisarão se revacinar, segundo PNI

Anna Gabriela Costa, da CNN, em São Paulo
Compartilhar matéria

O Instituto Butantan afirmou, nesta quarta-feira (17), que as pessoas imunizadas com lotes da vacina Coronavac -  envasados em uma linha da farmacêutica chinesa Sinovac não certificada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) - não precisarão se revacinar.

A decisão foi publicada em nota técnica divulgada na última sexta (12) pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde.

Segundo o Butantan, a decisão "corrobora as afirmações de que os lotes que haviam sido suspensos pela Anvisa são tão seguros e eficazes quanto os envasados nas instalações do instituto".

Na nota, o PNI aponta que as pessoas que foram vacinadas com imunizantes dos lotes 202107101H, 202107102H, 202107103H, 202107104H, 202108108H, 202108109H, 202108110H, 202108111H, 202108112H, 202108113H, 202108114H, 202108115H, 202108116H e L202106038 “poderão ter suas doses consideradas como válidas, não havendo necessidade de revacinação”.

"Em reunião recente, Butantan, PNI e Anvisa chegaram ao consenso de que o envase na linha não inspecionada não causou qualquer impacto na qualidade da CoronaVac e que não seria necessária a revacinação das pessoas que haviam recebido esses imunizantes", afirmou o Butantan.

"Entre os diversos fatores que levaram o PNI a tomar a decisão estão os resultados das análises de segurança independentes realizadas pelo Ministério da Saúde, pelo Butantan e pelo estado de São Paulo, que não identificaram desvios do padrão esperado de ocorrência de eventos adversos; a avaliação de potência e as demais análises realizadas pelo INCQS, consideradas satisfatórias; e os estudos de comparabilidade da Anvisa, que não proporcionam argumentos para o questionamento acerca da eficácia da vacina”, acrescentou o Instituto.

Até o momento, segundo o Butantan, foram registrados no e-SUS Notifica 12 eventos adversos associados às 43.869 doses de vacina administradas desses lotes, sendo todos eventos não graves.

Suspensão

O Ministério da Saúde bloqueou os 25 lotes de vacinas da Coronavac que tiveram o uso suspenso pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no dia 4 de setembro. As doses entraram no Sistema de Insumo Estratégico da pasta. Segundo o ministério, a medida visava evitar que as vacinas fossem movimentadas até que a agência finalize a apuração do caso.

A Anvisa determinou, em 4 de setembro, a interdição cautelar de lotes da vacina Coronavac, proibindo a distribuição e o uso das doses de lotes envasados em planta não aprovada pela agência.

Lotes contêm 12 milhões de doses

Segundo a Anvisa, o Instituto Butantan informou à agência,  em 3 de setmebro, após uma reunião, que o laboratório chinês Sinovac, fabricante da Coronavac, enviou ao Brasil 25 lotes com doses envazadas em fábrica não inspecionada pela Anvisa. Os lotes contêm mais de 12 milhões de doses.