Saúde volta atrás e defende flexibilizar isolamento só após reforçar atendimento

Ministério condicionou qualquer alteração a um reforço do sistema de saúde, que equipe ainda julga distante

Guilherme Venaglia
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Em nota divulgada nesta terça-feira (7), o Ministério da Saúde voltou atrás nas orientações que haviam sido divulgadas no último boletim epidemiológico. A pasta afirmou agora que a sugestão do dia 13 para flexibilizar o isolamento social era apenas "uma sinalização de data" e condicionou qualquer alteração a um reforço do sistema de saúde, que ainda julgam distante.

A equipe técnica do ministério voltou a defender as medidas de distanciamento adotadas por governadores e prefeitos -- e criticadas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

"O Ministério da Saúde avalia que as estratégias de distanciamento social adotadas pelos estados e municípios contribuem para evitar o colapso dos sistemas de saúde", diz a nota, que cita países como Estados Unidos, Itália, Espanha, China e Equador. 

O ministério não estabelece um critério mínimo para que essa progressão seja feita, afirmando apenas que as medidas atuais devem ser mantidas até que haja leitos, equipamentos de proteção, testes, respiradores e profissionais de saúde "em quantitativo suficiente".

Pendências

Ao contrário, a pasta cita carências e pendências. Segundo o ministério, há a necessidade da aquisição dos insumos considerados necessários e da atração de mão de obra especializada. Complementa que leitos de UTI e de internação não estão "devidamente estruturados e nem em número suficiente para a fase mais aguda da epidemia". 

"Pelo segundo boletim consecutivo, o Ministério da Saúde ressalta que há carência de profissionais de saúde capacitados para manejo de equipamentos de ventilação mecânica, fisioterapia respiratória e cuidados avançados de enfermagem direcionados para o manejo clínico de pacientes graves de COVID-19", escrevem os técnicos.

No boletim de segunda-feira (6), a pasta havia afirmado que a partir do dia 13 seria possível a flexibilização "em regiões que não comprometeram mais do que metade da capacidade de atendimento instalada antes da pandemia do novo coronavírus". Seria adotado nestes locais o chamado isolamento seletivo ou vertical, em que apenas ficariam isolados os grupos de risco, como idosos e pessoas com doenças pré-existentes.

A nova orientação foi divulgada depois do anúncio da permanência de Luiz Henrique Mandetta (DEM) como ministro da Saúde. Os boletins são divulgados por Mandetta e seus secretários mais próximos, em especial o secretário-executivo João Gabbardo e o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Kléber de Oliveira.