Síndrome do ombro congelado x menopausa: entenda paralisia de Eliana

Queda de estrogênio favorece o surgimento do diagnóstico; saiba mais

Caroline Ferreira, da CNN
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Recentemente, a apresentadora Eliana, 52, revelou ter sofrido uma paralisa no ombro em decorrência da menopausa. "Eu não conseguia levantar o braço. O meu ombro congelou e o meu braço grudou no corpo", disse ela em entrevista ao podcast PodDelas.

Ainda no papo, a famosa contou ter ido em busca de informações e descobriu que se tratava de um sintoma da menopausa. "Por muito tempo, fiquei sem entender era a menopausa. Não sabia o que estava sentindo, o que estava vivendo", afirmou.

Mas afinal, o que é a síndrome do ombro congelado?

Segundo o ginecologista Igor Padovesi, especialista em menopausa, certificado pela North American Menopausa Society (NAMS), o termo técnico para condição é capsulite adesiva do ombro, que causa rigidez articular e dificuldade de movimentar a região.

No entanto, não se pode dizer com certeza que ela é causada diretamente pela menopausa. "Não existe uma relação direta bem estabelecida, mas há indícios de que mulheres nessa fase de pera e menopausa tendem a ter uma incidência do ombro congelado, justamente devido à variação hormonal", explica Jean Klay, diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Ombro e Cotovelo (SBCOC).

O ginecologista Luciano de Melo Pompei, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Climatério da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) diz que "a menopausa é caracterizada pela diminuição dos hormônios femininos, em especial do estradiol, e isso pode levar à exacerbação de dores nas articulações - em parte atribuível a uma diminuição do líquido lubrificante presente nas articulações (líquido sinovial)".

Ele reforça ainda que, em geral, essa manifestação não é localizada apenas no ombro, mas caso a paciente já tenha algum problema anterior na região, o período pode exacerbar os sintomas.

Os principais sintomas do diagnóstico

Conforme explica Jean Klay, diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Ombro e Cotovelo (SBCOC), embora doença seja caracterizada na sua primeira fase, ela consiste em três etapas.

"A dor, que costuma ser bem intensa e, logo em sequência, um período que varia de um a três meses, com a falta de movimentação. Essa já seria a segunda fase. A terceira e última, é a fase de descongelamento, que pode levar até próximo de seis anos para ocorrer", comenta.

Cirurgia e outros tratamentos disponíveis

Na entrevista, Eliana também contou ter passado por uma cirurgia e comentou sobre os tratamentos apresentados quando procurou ajuda. "Fui ao médico e ele falou: 'Temos alternativas, você vai fazer fisioterapia, compressas. Vamos fazer de tudo para voltar a mobilidade. Mas, no meu caso, não adiantou", recordou.

Com o diagnóstico em mãos, o tratamento inicial, segundo Igor, é feito com o uso de medicamentos anti-inflamatórios, repouso da articulação e fisioterapia. No entanto, Padovesi ressalta que a capsulite adesiva do ombro é uma condição que tipicamente só melhora por completo com a reposição hormonal, sem a necessidade de outros medicamentos ou intervenções.

"A terapia hormonal consiste na reposição dos hormônios que passam a faltar no corpo da mulher depois da menopausa. Dessa forma, atua diretamente na principal causa do problema: a falta do estrogênio”, detalha o médico.

A terapia hormonal é recomendada para quase todas as mulheres na menopausa, com raras contraindicações. “É cientificamente comprovado que, quando realizada corretamente, a terapia hormonal, além de ser muito segura, melhora uma grande diversidade de sintomas da menopausa", acrescenta o ginecologista.

Sequelas após o tratamento ou cirurgia

Considerando que é uma doença de instalação e evolução lenta, a limitação de movimento quando ocasionada de maneira grave, acaba gerando atrofia na região, e isso gera uma sobrecarga nas outras articulações, uma vez que o ombro não está funcionando bem.

"Cotovelo, punho, mão e dados acabam sendo sobrecarregados, então é comum que o paciente tenha dor nessa região e também dor na área cervical. Naturalmente, no momento em que você tem dor no ombro, o ideal é que você procure um ortopedista habilitado para isso, porque também é uma doença que, sobretudo nas formas leve e moderada, o diagnóstico não é fácil de ser dado", comenta Klay.

E a prevenção?

Para o diretor, é difícil falar em prevenção, mas, de maneira geral, a prática de atividades físicas e o trabalho da higiene mental são bons aliados.

"Quando você tem uma atividade física regular e trabalha sua higiene mental, o combate ao estresse, a ansiedade, são medidas bem interessantes para você tentar prevenir essa doença", conclui.