SP: Letícia Sabatella e pais transformam vivência no autismo em aprendizado

Mais de mil pessoas compareceram a evento sobre autismo na capital paulista; 2,4 milhões de brasileiros declararam diagnóstico da doença

Stêvão Limana, da CNN Brasil, São Paulo
Compartilhar matéria

A atriz Letícia Sabatella, pais, especialistas e outras personalidades estiveram presentes no evento São Paulo TEAMA, neste final de semana, para debater e transformar suas vivências com o TEA (Transtorno do Espectro Autista) em aprendizado.

Mais de mil pessoas compareceram ao Auditório do Edifício e Galeria Califórnia, na República, no Centro da capital paulista.

Uma das principais figuras era Sabatella, que subiu ao palco para compartilhar a experiência com o diagnóstico de autismo leve, recebido somente aos 52 anos.

Para ela, a descoberta trouxe respostas para sintomas e barreiras que enfrentava há décadas, tanto na vida pessoal quanto na profissional. "O mundo fica mais colorido porque vai sendo mais compreendido", disse a atriz à CNN Brasil.

Eu teria entendido sentimentos que me aprisionaram em situações que poderiam ter durado menos à luz do diagnóstico. Com certeza o diagnóstico me faz enxergar que muitas pessoas que acham que estão fadadas a determinado mundo podem mudar isso e sair dessa opressão.
Letícia Sabatella, atriz com diagnóstico tardio de autismo

Um dos relatos de maior impacto no evento foi o de Silvia Grecco com a história de vida do filho, Nickollas Grecco.

O menino, que é cego e tem autismo leve, ficou nacionalmente conhecido pela cumplicidade com a mãe, que narrava os jogos do Palmeiras no estádio para que ele pudesse sentir as emoções do futebol.

Hoje, Silvia atua como secretária municipal da Pessoa com Deficiência em São Paulo e aponta o filho como principal inspiração diária.

Eu aprendo com ele na simplicidade. Eu aprendo com o Nickollas a enxergar com o coração. Aprendo que outros valores são muito mais importantes na vida quando convivemos com uma pessoa com deficiência.
Silvia Grecco, mãe de Nickollas Grecco e secretária municipal da Pessoa com Deficiência

Temas do evento

A programação abordou temas complexos e atualizados sobre o Transtorno do Espectro Autista, incluindo diagnóstico tardio, comorbidades associadas ao transtorno, medicações e alterações motoras. 

Além disso, foram trabalhados assuntos como saúde mental materna, direitos legais e desenvolvimento integral de pessoas autistas.

Cenário do autismo no Brasil

De acordo com dados do Censo 2022, divulgados pelo IBGE em 2025, 2,4 milhões de brasileiros declararam ter diagnóstico de autismo. O número corresponde a 1,2% da população.

A condição é mais prevalente entre homens (1,5%) do que entre mulheres (0,9%), com destaque para crianças de 5 a 9 anos, grupo que apresentou o maior percentual: 2,6%.

Segundo o IBGE, o pico em idades mais jovens evidencia a evolução dos métodos de rastreamento e a atenção crescente nas escolas e nos lares.

Um dos pontos de destaque é a educação. A taxa de escolarização de pessoas com autismo no país é de 36,9%, superando a média nacional de 24,3%.

Contudo, especialistas reforçam que o avanço numérico traz o desafio de preparar o ambiente escolar e clínico. "Exige muito mais de quem está acolhendo e tratando o indivíduo estar preparado para entender a situação e saber como lidar", afirmou Valéria Rufino, Diretora do Campus SP da Universidade Brasil.

Tópicos