SP não seguirá Saúde e vai manter vacinação de adolescentes sem comorbidades

Segundo o governo paulista, três a cada dez adolescentes que morreram com Covid-19 em São Paulo não tinham comorbidades

Vacinação de adolescentes contra a Covid-19 em Jundiaí (SP)
Vacinação de adolescentes contra a Covid-19 em Jundiaí (SP) Prefeitura de Jundiaí

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O Governo de São Paulo decidiu não seguir a nova recomendação do Ministério da Saúde e vai manter a vacinação contra a Covid-19 de adolescentes sem comorbidades.

Em nota, o governo de São Paulo diz lamentar a decisão da Secretaria Especial de Enfrentamento à Covid, por dizer que ela vai na contramão de autoridades sanitárias de outros países.

“A vacinação nessa faixa etária já é realizada nos EUA, Chile, Canadá, Israel, França, Itália, dentre outras nações. A medida cria insegurança e causa apreensão em milhões de adolescentes e famílias que esperam ver os seus filhos imunizados, além de professores que convivem com eles. Coibir a vacinação integral dos jovens de 12 a 17 anos é menosprezar o impacto da pandemia na vida deste público”, disse em nota.

Ainda segundo o governo paulista, três a cada dez adolescentes que morreram com Covid-19 em São Paulo não tinham comorbidades. “Este grupo responde ainda por 6,5% dos casos e, assim como os adultos, está em fase de retomada do cotidiano, com retorno às aulas e atividades socioculturais”.

Medida semelhante foi anunciada pela Prefeitura de São Paulo.

“A secretaria reforça que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a vacinação dos adolescentes acima de 12 anos com o imunizante da Pfizer, com indicação e aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A SMS entende que a restrição imposta pelo governo federal é apenas por questão logística, pois, trata-se de um imunizante eficaz e seguro previamente autorizado”, afirma a administração municipal.

Recomendação

O Ministério da Saúde recomendou a suspensão da vacinação contra Covid-19 de adolescentes de 12 a 17 anos sem comorbidades no país.

A recomendação surgiu em uma nota técnica divulgada nesta quarta-feira (15).

Passa a ser recomendada a vacinação nesta faixa etária somente em adolescentes que apresentem deficiência permanente, comorbidades ou que estejam privados de liberdade.

A nota técnica não informa uma diretriz para a segunda dose dos adolescentes que já foram vacinados e não dá detalhes de como os adolescentes terão que comprovar que estão elegíveis para se vacinarem.

Na nota técnica nº 40/2021, a Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 diz ter partido de algumas premissas para fazer a recomendação:

  • A Organização Mundial de Saúde não recomenda a imunização de criança e adolescente, com ou sem comorbidades;
  • A maioria dos adolescentes sem comorbidades acometidos pela Covid-19 apresentam evolução benigna, apresentando-se assintomáticos ou oligossintomáticos;
  • Somente um imunizante foi avaliado em ECR (ensaios clínicos randomizados);
  • Os benefícios da vacinação em adolescentes sem comorbidades ainda não estão claramente definidos;
  • Apesar dos eventos adversos graves decorrentes da vacinação serem raros, sobretudo a ocorrência de miocardite (16 casos a cada 1.000.000 de pessoas que recebem duas doses da vacina);
  • Redução na média móvel de casos e óbitos (queda de 60% no número de casos e queda de mais de 58% no número de óbitos por covid-19 nos últimos 60 dias) com melhora do cenário epidemiológico.

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