Sputnik V e Covaxin terão impacto pequeno na imunização no Brasil, avalia médico

Epidemiologista José Cássio de Moraes, que é especialista em imunização, afirmou que liberação controlada de imunizante servirá para acompanhar eventos adversos

Produzido por Jorge Fernando Rodrigues, da CNN, em São Paulo

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O epidemiologista José Cássio de Moraes, especialista em imunização e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, afirmou nesta segunda-feira (7), em entrevista à CNN, que a liberação da importação excepcional e do uso com restrições das vacinas Sputnik V, da Rússia, e Covaxin, da Índia, causa pouco impacto na campanha nacional de imunização contra a Covid-19. 

“O impacto [na vacinação nacional] é pequeno, são 5 milhões de doses. Nós temos uma necessidade muito maior de doses”, disse o médico.

Moraes afirmou que, em situações de abastecimento normal de vacinas, se aguardaria mais tempo para que os imunizantes russo e indiano pudessem ser usados no Brasil.

“Mas, como estamos em situação de pandemia e existe escassez de vacinas, se pode fazer liberação controlada do uso dessas vacinas se observando atentamente a presença de eventos adversos, que provavelmente não acontecerão.”

Liberação excepcional

Na semana passada, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a importação temporária e excepcional das vacinas Sputnik V e Covaxin, mas com restrições para o uso de ambos os imunizantes no país. Grávidas, pessoas com doenças crônicas não controladas, pessoas com HIV e com histórico de anafilaxia pós-vacinação não devem tomar a vacina. Veja a relação de contraindicações.

Anteriormente, o órgão rejeitou a importação de ambos os imunizantes, mas passou a discutir a possibilidade de aprovar o uso da Sputnik V após pressão de governadores do Nordeste, que já fizeram acordos com a Rússia para mais de 67 milhões de doses da Sputnik e por considerar lenta a vacinação no país e a necessidade de mais doses.

Vacinação contra o coronavírus em Botucatu, interior de São Paulo
Vacinação contra o coronavírus em Botucatu, interior de São Paulo
Foto: Vitor Orsola/Uai Foto/Estadão Conteúdo

(Com informações de Camila Neumam, da CNN, em São Paulo)

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