Sucesso da Sputnik V se dá por uso de diferentes adenovírus, diz microbiologista

Eficácia do imunizante russo contra Covid-19 é de 91,6%, segundo a revista The Lancet

Da CNN, em São Paulo

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Em entrevista à CNN nesta terça-feira (2), o microbiologista da Universidade de São Paulo (USP) Luiz Gustavo de Almeida falou sobre a publicação da revista The Lancet que comprova a eficácia de 91,6% da vacina Sputnik V contra o novo coronavírus. Ele destacou que o imunizante, assim como o da AstraZeneca/Oxford, utiliza o adenovírus.

“A gente ‘fantasia’ o vírus – que causa um resfriado comum – de coronavírus e coloca o material genético do coronavírus dentro desse adenovírus. Só que a grande sacada deles é que usaram dois adenovírus diferentes, um na primeira dose e o outro na segunda. Na AstraZeneca é o mesmo adenovírus nas duas doses”, disse.

Almeida esclareceu que isso é bom porque o nosso sistema imunológico acaba criando uma defesa contra o próprio adenovírus. “A sacada da Sputnik é usar diferentes adenovírus para criamos, na primeira dose, uma imunidade contra o adenovírus X, e na segunda dose ter uma imunidade para o adenovírus Y”, afirma.

Vacina no Brasil

Para termos a vacina russa contra a Covid-19, entretanto, o especialista lembrou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) requer que haja um estudo de fase 3 realizado aqui no Brasil, o que não foi feito. “O anúncio é de resultados feitos na Rússia, com candidatos russos”, disse. 

Na segunda-feira (25), técnicos da Anvisa se reuniram com representantes da União Química, responsável pela produção e distribuição da vacina no Brasil e América Latina. Os servidores informaram quais documentos devem ser apresentados para autorização dos testes da fase 3 no Brasil, necessários para que o laboratório possa pedir o uso emergencial das doses no país.

(Publicado por Sinara Peixoto)

 

 

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