‘SUS está fazendo o que pode pela população’, diz Roberto Kalil Filho

Roberto Kalil Filho fala sobre pico da epidemia e esperança em vacina ainda este ano

Da CNN, em São Paulo

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O Sistema Único de Saúde (SUS) pode sair fortalecido após a epidemia do novo coronavírus, e uma vacina contra a Covid-19 pode ser criada ainda este ano, na visão do médico cardiologista e diretor do Instituto do Coração (Incor) de São Paulo, Roberto Kalil Filho, em entrevista à CNN neste domingo (10).

“Estamos na pior fase da epidemia, no pico ou próximo dele. Nós sabíamos que as duas primeiras semanas de maio seriam as piores. Os números não são precisos por causa da testagem. A população não foi testada em massa. Com certeza o Brasil não tem só 160 mil casos, tem muito mais”, acredita.

“O SUS está fazendo o que pode pela população. O SUS se preparou previamente como pôde, dependendo da região com mais ou menos recursos, e vai sair fortalecido dessa pandemia, pois é um sistema brilhante, mas subfinanciado. Está fazendo o máximo, no país inteiro.”

Para Kalil Filho, “agora ntemos de lidar com o que temos. Hospitais de campanha, aumento de leitos de UTI… Estamos em uma guerra, e vamos vencer, com o menor número de mortos possível”.

Isolamento e lockdown

Ele ressalta a importância de se cumprir a quarentena. “As medidas tomadas de isolamento e o uso de máscaras são para minimizar a contaminação e evitar o colapso. Os hospitais estão lotados, mas temos controle da situação. Alguns Estados já estão em colapso.”

Segundo Kalil, “o isolamento é fundamental, as pessoas têm que se conscientizar. Não sair na rua, respeitar as regras da quarentena para passar por isso o mais rápido possível. Não adianta ficar furando porque vai prorrogar mais”.

A adoção do lockdown, como algumas cidades já fizeram, precisa ser bem estudada, explica, levantando alguns pontos.

“Tem que tomar muito cuidado com lockdown. Quem vai alimentar as pessoas, principalmente as mais carentes? Os governos vão oferecer cestas básicas? Vai por o exército nas ruas para evitar as pessoas de se movimentarem?.”

“Tem que ter um mapa muito bem feito da agressão desse vírus nas várias regiões. Se for estabelecido lockdown, quem vai levar comida a essas regiões? Nas comunidades, como vai ser? Em São Paulo tem que ser muito bem pensado”, afirma o médico.

Vacina até o fim do ano

Kalil espera uma solução ainda este ano. “Não saiu ainda um antiviral, e talvez não saia. A solução é a vacina, e ela não está tão longíngua assim, há testes em humanos em vários países. Sou otimista, tenho certeza que até o fim do ano sai. Saindo vacina, o coronavírus será página virada, um pesadelo e acabou. Com a vacina, é um problema resolvido.”

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