Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Transplante cardíaco: pacientes ficam mais de 1 mês internados após cirurgia, diz médico

    Em casos sem complicações, o tempo médio de hospitalização é de 7 dias na UTI e mais 30 no quarto

    Pacientes ficam, em média, 7 dias na UTI após transplante cardíaco
    Pacientes ficam, em média, 7 dias na UTI após transplante cardíaco Foto: Yves Herman - 15.mai.2020/Reuters

    Flávio Ismerimda CNN

    São Paulo

    Pacientes que passaram por um transplante cardíaco, como o apresentador Fausto Silva, o Faustão, costumam ficar mais de um mês internados após a cirurgia. É o que explica à CNN o cirurgião Fernando Atik, membro da diretoria da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).

    O médico afirma que essa média corresponde aos casos em que o receptor do órgão não tenha apresentado complicações e que a cirurgia tenha sido um sucesso.

    “Em média, pacientes em estado de prioridade que tenham sido submetidos a cirurgia com sucesso e não tenham complicações importantes no pós-operatório ficam sete dias em Unidade de Terapia Intensiva [UTI] e 30 dias no quarto do hospital antes da alta para casa.”

    O especialista acrescenta que, além das complicações no pós-operatório e do transcorrer do transplante, o estado de saúde do paciente antes do procedimento também pode complicar a recuperação e, portanto, fazer com que ele fique mais tempo internado.

    Importância dos imunossupressores

    Em entrevista à CNN, o presidente do InCor e apresentador do Sinais Vitais, Roberto Kalil, afirmou nesta segunda-feira (28) que a rejeição de órgãos transplantados, que antes era um dos grandes problemas apresentados pelo processo, hoje é evitada com a administração de medicamentos imunossupressores nos pacientes.

    “Hoje em dia se começa um pós-operatório convencional de cirurgia cardíaca associado a algumas drogas, como corticoides e, principalmente, os imunossupressores –que são dados no primeiro dia após o transplante”, relatou.

    A cardiologista da Rede D’Or e do hospital Sírio-Libanês Stéphanie Rizk, explicou que o tratamento com esse tipo de medicação precisava ser feito com cuidado, para que ele não tenha como consequência o surgimento de infecções.

    “Por mais que o órgão seja compatível, o paciente não deixa de ter um órgão estranho dentro dele. Ele precisa tomar uma medicação para evitar que o organismo rejeite aquele novo coração. São os remédios imunossupressores. É sempre aquela balança da rejeição versus infecção. Você não pode tomar remédio para imunossuprimir demais seu organismo a ponto de estar mais suscetível a uma infecção grave”, explicou.

    Outros problemas causados pelos imunossupressores também foram destacados pela cardiologista, como:

    • Insuficiência renal;
    • Neoplasia, ou seja, câncer;
    • Doença vascular do enxerto.

    Como foi o transplante do Faustão

    Faustão, de 73 anos, foi operado no início da tarde de domingo (27), no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

    A unidade de saúde informou, em boletim médico, que foi acionada pela Central de Transplantes do Estado de São Paulo na madrugada deste domingo, “quando foi iniciada a avaliação sobre a compatibilidade do órgão, levando em consideração o tipo sanguíneo B”.

    Segundo os médicos responsáveis, a cirurgia foi realizada com sucesso e Faustão permanecerá na UTI, pois “as próximas horas são importantes para acompanhamento da adaptação do órgão e controle de rejeição”.

    O órgão, que era de um homem de 35 anos, veio de Santos, no litoral paulista, de helicóptero. De acordo com a Secretária de Saúde de São Paulo, a partir do momento em que houve a disponibilidade do órgão, o sistema selecionou doze pacientes que atendiam aos requisitos para o transplante.

    Destes, quatro tinham prioridade. Faustão ocupava a segunda posição nesta lista e recebeu o órgão depois de a equipe do paciente que estava em primeiro lugar na lista de prioridade recusar o órgão.

    Veja fotos da carreira de Faustão