Transtornos alimentares: conheça os principais tipos e fatores de risco

"CNN Sinais Vitais – Dr. Kalil Entrevista" será exibido neste sábado, 15 de agosto, às 19h30, na CNN Brasil

Nathalie Ayres, da CNN Brasil
Compartilhar matéria

Muito já se falou sobre transtornos alimentares como anorexia e bulimia e o assunto segue atual. Hoje, esses quadros atingem entre 1% e 3% da população, impactando a relação com a comida de muita gente, principalmente mulheres.

O tema foi assunto do "CNN Sinais Vitais - Dr. Kalil Entrevista" de sábado (8). No episódio, Dr. Roberto Kalil conversa com o psiquiatra Fábio Salzano, coordenador do Ambulim do Hospital das Clínicas da FMUSP, e a nutricionista Andrea Vargas, do mesmo ambulatório.

Salzano diferenciou que existem quatro tipos mais comuns de transtornos alimentares:

  • Anorexia nervosa: quando a pessoa se priva de comer para emagrecer;
  • Bulimia nervosa: em que episódios de alimentação exagerada se intercalam com momentos de purgação, seja vomitando, tomando laxantes ou abusando de exercícios, entre outros;
  • Transtorno de compulsão alimentar: quando os episódios de alimentação exagerada ocorrem sem compensação;
  • Transtorno alimentar restritivo evitativo: em que a pessoa não consegue comer por ter questões com a textura dos alimentos ou teme passar mal.

A anorexia nervosa não é o mais comum (acometendo 1% da população, enquanto a bulimia ocorre em 1,5% e a compulsão em 3%), mas é a mais mortal. “É alguém que está em busca de emagrecer cada vez mais, mas não é um emagrecimento saudável. Essa pessoa acaba ficando desnutrida, o que pode causar muito impacto na sua vida”, define o psiquiatra.

O que leva ao surgimento de um transtorno alimentar?

Salzano começa explicando que não se conhece tão bem quais são as causas dos transtornos alimentares, mas sabe-se os pacientes com esses quadros possuem alterações nos neurotransmissores, e portanto, na atividade cerebral. Mas, questões socioculturais também são importantes nesse desenvolvimento.

“Tem trabalhos emblemáticos mostrando que populações que eram isoladas de modelos de beleza ocidentais, quando passam a ter contato com esses modelos, começou a ter essas alterações que levam a uma dieta restritiva, ao uso de laxantes, a querer fazer muita atividade física”, descreve o psiquiatra.

Existem traços de personalidade mais comuns em alguns quadros específicos. Na anorexia, você acaba vendo muitos indivíduos perfeccionistas. Já na bulimia, você vê algumas características de maior impulsividade”, pondera.

Vargas ensina que só querer emagrecer não significa que você tem um transtorno alimentar. A nutricionista reforça como o transtorno alimentar engloba mais do que um comportamento. “Então, quando uma pessoa deseja fazer uma dieta [...] isso não vai definir um transtorno alimentar”, descreve.

O diagnóstico vem quando a pessoa começa a se sentir pressionada ou em sofrimento por causa da comida, ou se passa por algum isolamento, ou se a alimentação passa a tomar um espaço desproporcional na vida dela. “Essa pessoa fica ali parada, presa, com a vida no pause, porque tudo gira em torno da comida, da alimentação, do corpo”, enumera.

Durante o bate-papo, os especialistas também falaram sobre o papel dos remédios (como as canetas emagrecedoras) e das redes sociais nesses quadros e outros temas dentro desse assunto.

"CNN Sinais Vitais – Dr. Kalil Entrevista" será exibido neste sábado, 15 de agosto, às 19h30, na CNN Brasil.