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    Transtornos alimentares são doenças do cérebro, e não pressão social, aponta estudo

    Nova pesquisa da Keck School of Medicine, da Universidade do Sul da Califórnia, mostra ainda que o problema se apresenta de forma diferente para meninos e meninas

    Todos devem desfrutar da comida sem sofrer vergonha ou tentar lutar por um certo tipo de corpo ou ideal.
    Todos devem desfrutar da comida sem sofrer vergonha ou tentar lutar por um certo tipo de corpo ou ideal. Getty Images/Westend61

    Carol Raciunasda CNN

    Um novo estudo da Keck School of Medicine, da Universidade do Sul da Califórnia (USC), mostrou que está errada a noção popular de que os transtornos alimentares são resultado de pressão social e falta de força de vontade. Outra comprovação feita pelos pesquisadores é que a doença é diferente entre meninos e meninas.

    A comparação entre gêneros é inédita para pesquisas sobre transtorno de compulsão alimentar periódica. De acordo com o professor associado de Psiquiatria e Ciências do Comportamento da universidade, Stuart Murray, nas últimas décadas, os homens foram excluídos das pesquisas sobre esses transtornos, o que impacta os resultados nos tratamentos já desenvolvidos.

    “Como resultado dessa exclusão, desenvolvemos tratamentos apenas a partir do estudo de mulheres, que depois aplicamos a meninos e homens e esperamos que funcionem com a mesma eficácia”, explica.

    Ainda de acordo com ele, essa exclusão ocorria pela errada percepção de que distúrbios alimentares eram incomuns entre homens.

    Baseado em trabalhos anteriores, o estudo mostrou que o transtorno de compulsão alimentar está diretamente relacionado ao cérebro, que apresenta diferenças significativas em sua estrutura a depender do gênero.

    Observando 74 crianças com idade entre 9 e 10 anos, foi possível concluir que as meninas com transtorno de compulsão alimentar tinham densidade elevada de massa cinzenta em várias partes do cérebro conhecidas por estarem conectadas ao controle de impulsos e compulsão alimentar, que são sintomas do transtorno.

    Já os meninos não apresentaram densidade elevada de massa cinzenta nessas áreas. Com isso, Murray reforça a importância de diferenciar o gênero para a pesquisa e o desenvolvimento de tratamentos.

    O professor afirma, ainda, que novos procedimentos de remediação estão no horizonte e contemplam a relação direta entre o transtorno e o cérebro.

    Conforme divulgado pela USC, o próximo passo da pesquisa deve ser estudar se além de ter estruturas diferentes, os cérebros de homens e mulheres com transtorno de compulsão alimentar têm funcionamentos distintos.

    *Sob supervisão de Bárbara Brambila