Tratamento com plasma reduz mortalidade de pacientes graves da Covid-19

O neurologista Paulo Niemeyer Filho, diretor do Instituto Estadual do Cérebro, explicou tratamento com plasma convalescente contra a Covid-19

Da CNN

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Coordenador do estudo que testou tratamento com plasma convalescente contra a Covid-19, o neurologista Paulo Niemeyer Filho, diretor do Instituto Estadual do Cérebro, disse à CNN nesta terça-feira (7) que o método pode ajudar a reduzir em quase 50% a mortalidade de pacientes graves da doença.

Ele esclareceu que não se trata de um tratamento inédito – e que foi utilizado, inclusive, durante a pandemia da gripe espanhola –, mas que, durante três meses, foi utilizado de forma experimental contra o novo coronavírus na clínica dirigida por ele, que fica no Rio de Janeiro e passou a atender pacientes com o novo coronavírus.

“A ideia é transfundir anticorpos de um paciente que se recuperou do vírus para um paciente que ainda não tem anticorpos”, explicou. “É um tratamento que teoricamente faz sentido, mas não sabemos qual o resultado exato, já que é sempre feito em momentos de crise e não há tempo para um controle científico muito rígido”, acrescentou.

Niemeyer detalhou que, inicialmente, o tratamento foi uma alternativa para pacientes graves já em estado avançado. Em um primeiro momento, foi observado que a transfusão trazia melhoras aos infectados, mas que a carga viral voltava a subir e eles pioravam. Neste ponto, os pacientes começaram a receber outra infusão de plasma e apresentaram melhora novamente.

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Para esses, ele concluiu que deve ser feita a segunda infusão para os pacientes mais graves quando voltarem a apresentar piora, o que pode levar à redução de quase 50% da mortalidade.

Apesar disso, ele ressaltou que pacientes ainda morreram semanas depois devido a complicações da doença. “Alguns ainda tinham complicações e vieram a morrer tardiamente”, acrescentou. “Depois de 15 ou 20 dias, eles não têm mais o vírus, mas continuam muito graves, porque pulmões e rins já estão comprometidos e assim por diante”, disse.

Por conta disso, o neurologista destacou que o resultado mais positivo se deu com pacientes que ainda não tinham tido a respiração comprometida pela Covid-19.

Ele frisou que os números de pacientes submetidos ao tratamento não são grandes, mas que os resultados foram positivos e “indicaram fortememente que é um tratamento que pode ser eficaz, principalmente para aqueles ainda em enfermaria e que não chegaram ao ponto de serem entubados”.

(Edição: Bernardo Barbosa)

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