Tratamento revolucionário recupera visão de pacientes cegos na Inglaterra

Em fase de testes, implante de microchip permitiu que pacientes recuperassem capacidade de leitura

André Nicolau, da CNN Brasil
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Um avanço notável na oftalmologia pode reacender a esperança para milhões de pessoas com perda de visão: recentemente, um procedimento cirúrgico revolucionário possibilitou que um grupo de pacientes considerados cegos voltasse não apenas a ler como retomar atividades cotidianas.

Os testes realizados no renomado Moorfields Eye Hospital, em Londres, consistiram na aplicação de implantes de microchips sob a rotina.

Esperança para a degeneração macular

O implante Prima, nome dado ao procedimento fabricado pela Science Corporation, empresa de biotecnologia da Califórnia, é uma tecnologia resultante de um estudo internacional que oferece uma nova perspectiva para indivíduos com AG (atrofia geográfica) - forma avançada de DMRI (Degeneração Macular Relacionada à Idade).  

Estudos recentes sobre o tema indicam que a DMRI é a principal causa de perda de visão em pessoas a partir dos 50 anos - a condição danifica gradualmente uma pequena área da retina, resultando em visão central turva ou distorcida, com perda de detalhes finos e cores. 

Eficácia do tratamento

Resultados do estudo publicado no New England Journal of Medicine revelaram que, dos 32 pacientes com atrofia geográfica que receberam o implante, 27 conseguiram retomar a leitura utilizando a visão central.

A pesquisa envolveu 38 pacientes em cinco países europeus que testaram o dispositivo. Após um ano, a melhora média na leitura foi equivalente a 25 letras, ou cinco linhas, em uma tabela oftalmológica, um feito inédito na área de visão artificial. 

Este procedimento inovador envolve a inserção de um minúsculo microchip fotovoltaico quadrado de apenas 2 mm, com a espessura de um fio de cabelo humano, sob a retina.

O sistema é complementado por óculos equipados com uma câmera de vídeo. A câmera envia um sinal infravermelho de imagens para o implante, que as transmite ao cérebro através do nervo óptico, após serem aprimoradas por um pequeno processador de bolso.