Vacina contra Covid-19 vinda da Índia atenderia até 6,3% dos grupos prioritários

Fiocruz faz a negociação de dois milhões de doses pelo valor de R$ 59,4 milhões

Leandro Resendeda CNN

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As 2 milhões de doses de vacina contra a Covid-19 que a Fiocruz negocia com a Índia poderão imunizar 6,3% das pessoas que compõem o público da primeira fase do Plano Nacional de Imunização apresentado pelo Ministério da Saúde em dezembro do ano passado.

Produzidas pela AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford, essa vacina é aplicada em duas doses. Considerando que o Ministério da Saúde estima perder até 5% das doses durante a operação, o lote que a Fiocruz quer adquirir por R$ 59,4 milhões serviria para imunizar até 950 mil pessoas. Segundo estimativas ainda em revisão do ministério, a primeira fase de vacinação contra o coronavírus mira 14,8 milhões de pessoas: trabalhadores de Saúde; pessoas de 75 anos ou mais; pessoas de 60 anos ou mais em asilos; indígenas e povos ribeirinhos.

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Índia produz vacina da AstraZeneca/Oxford
Índia produz vacina da AstraZeneca/Oxford
Foto: Adriana Toffetti/A7 Press/Estadão Conteúdo

O cálculo foi feito pela CNN Brasil e confirmado pelo pesquisador Marcelo Gomes, da Fiocruz, que participou do grupo técnico que assessorou o Ministério da Saúde na elaboração do plano nacional de imunização.

Segundo ele, a estimativa de 5% de perda de doses é “otimista”. “É um cenário de alta procura, e isso diminuiria a perda de vacinas por frascos abertos. Cada frasco contém cinco doses, e todas precisam ser aplicadas em curto espaço de tempo para não perder a eficácia”.

Para fins de comparação: as 2 milhões de doses que a Fiocruz espera trazer e iniciar a vacinação no país serviriam para imunizar 70% dos alvos da fase 1 do estado do Rio de Janeiro. De acordo com o plano de imunização estadual, são 1,3 milhões de pessoas entre trabalhadores da saúde, idosos com mais de 75 anos e em asilos, além de indígenas. No caso de São Paulo, as doses de vacina seriam suficientes para cumprir 10,5% do grupo prioritário definido pelo estado.

“Essas doses precisam ser destinadas para os profissionais de saúde. Não irão atender todos os do país, mas eles não têm opção, estão na linha de frente do combate a pandemia. Constituem o grupo mais vulnerável, junto com os idosos”, avalia a epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo e que fez parte do grupo técnico de pesquisadores que assessorou o Ministério da Saúde na elaboração do Plano Nacional de Imunização contra a Covid-19.

A Fiocruz deve entregar nesta sexta-feira à Agência Nacional de Vigilância Sanitária o pedido para que a vacina de Oxford/AstraZeneca seja usada de forma emergencial no país, e prevê que até o dia 15 sejam entregues os documentos para uso definitivo do imunizante.

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