Vacina experimental contra chikungunya vira opção contra outras doenças

Protótipo de imunizante utiliza nova técnica criada em parceria entre cientistas brasileiros e alemãs

Paulo Vito, colaboração para a CNN Brasil
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Testes de uma nova vacina contra chikungunya desenvolvida entre a USP (Universidade de São Paulo) e a Universidade de Bonn, na Alemanha, têm registrado bons resultados. O protótipo do imunizante utiliza uma nova técnica segura para diversos grupos populacionais e que pode ser usada contra outras doenças virais.

O protótipo contra o vírus CHIKV foi criado utilizando engenharia genética e possui um princípio diferente do usado em vacinas disponibilizadas no Brasil. Por usarem o vírus atenuado, quando é vivo e enfraquecido, os imunizantes atuais são restritos a pessoas entre 18 e 59 anos, não sendo seguros para crianças, imunossuprimidos e idosos.

A nova técnica afeta o processo de maturação do vírus, responsável por torná-lo infeccioso. Para poder se espalhar, o vírus passa por um processo de maturação celular chamado clivagem, que é feito por uma enzima humana chamada furina.

Os cientistas conseguiram alterar o genoma do CHIKV substituindo o local onde a furina age por um sítio de corte de uma protease do vírus do mosaico do tabaco (TEV).

Danillo Esposito, primeiro autor e pesquisador da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP, afirmou que, uma vez clivado, o vírus ganhou a capacidade de realizar sua ligação e fusão com a célula vegetal, o que o faz apto para infectar. A vantagem é que o TEV não infecta animais, apenas plantas, impedindo a maturação natural.

“Quando a célula tinha furina, ela voltava a ser infecciosa e produzia vírus infeccioso. Quando a gente percebeu isso, pensamos em retirar, na verdade, a parte no genoma que vai codificar para a protease da furina”, explicou o cientista sobre a pesquisa, que foi publicada recentemente na revista científica NPJ Vaccines.

Bons resultados

Os testes foram realizados em animais. Houve 100% de sobrevivência em camundongos vacinados que foram infectados com o CHIKV. Além disso, a viremia e os inchaços causados pela doença foram diminuídos e os anticorpos cresceram em cerca de nove vezes.

A boa notícia é que a técnica, se aprovada, poderá ser usada para criar uma nova vacina contra o Zica Vírus, podendo até mesmo ser usada em grupos fragilizados e gestantes no futuro.