Vacinação por spray seria um grande passo adiante, afirma epidemiologista

À CNN, Paulo Lotufo disse que espera o desenvolvimento de novas vacinas que sejam vinculadas a todas as variantes conhecidas do coronavírus

Paulo Lotufo, epidemiologista, professor de medicina da USP
Paulo Lotufo, epidemiologista, professor de medicina da USP CNN/Reprodução

Elis FrancoJoão Pedro Malarda CNN

em São Paulo

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A vacinação contra a Covid-19 por meio do uso de spray seria um “grande passo adiante”, segundo Paulo Lotufo, epidemiologista e professor da Faculdade de Medicina da USP.

Em entrevista à CNN nesta terça-feira (25), Lotufo afirmou que o ideal seria não apenas ter a vacinação por spray, mas também que essa vacina fosse vinculadas a todas as variantes conhecidas do coronavírus atualmente.

“A vacina por spray seria muito interessante porque o vírus entra pela células do trato respiratório, então já teria uma ação direta ali para impedir a entrada do vírus, e segundo porque seria muito mais fácil, apesar que aqui no Brasil dar injeção não está sendo nada difícil, felizmente, mas em grande parte do planeta isso não acontece”, afirma.

O professor avalia que até o momento as vacinas usadas foram testadas apenas no coronavírus inicial, também chamado de vírus selvagem, e que seria “um fato importante” ter vacinas feitas com base em todas as variantes, como a Gama, a Ômicron e a Delta.

Ao mesmo tempo, ele afirma que as decisões sobre vacinação no Brasil, como o período entre as doses, têm sido mal explicadas para a população. “Tudo isso precisa ser muito bem explicado, e infelizmente não é. São entrevistas bombásticas para causar repercussão sem nenhum tipo de explicação por trás dessa decisão”.

O caso mais recente, segundo Lotufo, é o da vacinação infantil, com o estados já estudando uma redução do período entre as doses de vacina.

“Essa bagunça que nós temos desde o início da pandemia, onde o Ministério fala outra, secretarias de estados outra e municipais uma terceira, é fruto de não termos um órgão que coordenasse todas essas ações a nível federal, equivalente ao que existe da Anvisa, que estaria mostrando o que é realmente o correto”, diz.

A possibilidade de redução de prazo ocorre enquanto o Brasil registra a maior média de casos de Covid-19 pelo 7º dia seguido, com a disseminação da variante Ômicron, e a proximidade da volta às aulas, em fevereiro.

Para Lotufo, “é sempre complicado essas previsões, mas se a gente olhar o que passou na África do Sul, Reino Unido, Israel, há uma tendência de que estamos quase chegando no que seria o máximo, e tenderia a ter uma redução nos próximos 10 dias”. Ele destaca, entretanto, que o coronavírus tem tido um comportamento menos previsível que outros vírus, dificultando análises.

Nesse cenário, o professor afirma que a declaração da OMS de que o mundo pode sair da fase aguda da pandemia em 2022 foi “muito infeliz”. “Uma pandemia é definida baseada não na gravidade, mas na extensão geográfica, é quando uma epidemia se encontra em todos os cinco continentes, essa é a questão. A Europa somente vai estar livre, como se falou ontem, quando nos demais continentes não tiver mais a epidemia acontecendo”.

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