Estudo: Variante do coronavírus circulou em 15 países antes de ser descoberta

Pesquisa da Universidade do Texas em Austin aponta que variante não detectada do vírus se espalhou por meses nos Estados Unidos sem ninguém ficar sabendo

Pacientes de Covid-19 em hospital de Rondônia
Pacientes de Covid-19 em hospital de Rondônia Foto: Daiane Mendonça/Governo de Rondônia (7.ago.2020)

Tamires Vitorio, do CNN Brasil Business, em São Paulo

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Um estudo da Universidade do Texas em Austin, publicado nesta quinta-feira (1º), aponta que é possível que uma variante não detectada do novo coronavírus já estivesse circulando por diversos países no ano passado antes de ser descoberta pela comunidade científica. 

Segundo a pesquisa, a variante “altamente contagiosa” se espalhou por meses nos Estados Unidos em outubro de 2020. Essa cepa do vírus mais tarde seria identificada no Reino Unido, país onde existem maiores evidências do surgimento da B117 (como é identificada a variante).

O estudo, que foi publicado previamente no jornal científico Emerging Infectious Diseases, sugere que, na verdade, essa variante se espalhou pelo planeta muito antes de ser identificada em terras britânicas.

Os pesquisadores chegaram a essa conclusão analisando dados de 15 países e estimando a chance de viajantes do Reino Unido terem introduzido a variante nesses 15 locais entre 22 de setembro e 7 de dezembro de 2020. Eles descobriram, então, que a cepa deve ter alcançado todos os locais em meados de novembro.

“Quando descobrimos a variante do Reino Unido em dezembro, ela já estava se espalhando silenciosamente pelo mundo”, disse Lauren Ancel Meyers, diretora do Covid-19 Modeling Consortium da Universidade do Texas em Austin e professora de biologia integrativa. “Estimamos que a variante B117 provavelmente chegou aos EUA em outubro de 2020, dois meses antes de sabermos que existia.”

Para Meyers, o estudo “enfatiza a importância de manter uma vigilância laboratorial” sobre a Covid-19. “O sequenciamento rápido das amostras do vírus é crítico para detectar e rastrear novas variantes que podem ser problemáticas em um futuro próximo”, explica. 

Os membros do consórcio desenvolveram também uma ferramenta que pode ajudar pessoas nos Estados Unidos a planejar formas de sequenciamento genético para detectar a presença de novas variantes. A calculadora, online, indica o número de amostras de vírus que devem ser sequenciadas para conseguir fazer essa investigação a partir do momento que uma nova cepa emerge.

“Por exemplo, se a meta é detectar uma variante emergente no momento em que ela está causando uma a cada mil novas infecções pelo SARS-CoV-2, aproximadamente 3 mil espécimes positivos da Covid-19 precisam ser sequenciados por semana”, diz o estudo. 

Segundo Spencer Woody, um dos pesquisadores do consórcio, a calculadora “determina quantos espécimes positivos da Covid-19 devem ser sequenciados para garantir que novas ameaças sejam identificadas logo que elas começam a se espalhar”.

A calculadora tem, ainda, uma segunda função: a de ajudar os laboratórios a saber o quão rápido eles podem identificar uma nova variante. Se tudo der certo, isso pode ajudar a evitar o espalhamento do vírus, que já deixou mais de 129 milhões de infectados no mundo todo, segundo o monitoramento em tempo real da universidade americana Johns Hopkins

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