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    Veja 8 fatores determinantes para a obesidade, segundo pesquisa brasileira

    Além da genética, existem fatores externos, ambientais, socioeconômicos e políticos que estão associados à doença na América Latina

    Mais de 1 bilhão de pessoas estão vivendo com obesidade no mundo, de acordo com uma análise global publicada na revista The Lancet em fevereiro.
    Mais de 1 bilhão de pessoas estão vivendo com obesidade no mundo, de acordo com uma análise global publicada na revista The Lancet em fevereiro. Ableimages/GettyImages

    Gabriela Maraccinida CNN

    A obesidade é um dos principais problemas de saúde pública no mundo. Recentemente, um estudo publicado no The Lancet, em colaboração com a OMS (Organização Mundial da Saúde), mostrou que existe 1 bilhão de pessoas com a doença no mundo. No Brasil, as estimativas é que 50% das crianças e adolescentes tenham obesidade ou sobrepeso até 2035.

    A condição está associada a diversos fatores, incluindo genética e aspectos externos. Uma revisão recente, publicada na Nature Metabolism na última segunda-feira (4), elencou os principais determinantes da epidemia da obesidade nos países latino-americanos.

    De acordo com os pesquisadores — Sandra Ferreira (USP); Yazmín Macotela (UNAM – México); Licio Velloso, coordenador do OCRC (Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades); e Marcelo Mori, associado ao OCRC — existem oito fatores determinantes para a obesidade:

    • Ambiente físico;
    • Exposição alimentar;
    • Interesse econômico e político;
    • Desigualdade social;
    • Acesso limitado ao conhecimento científico;
    • Cultura;
    • Comportamento contextual;
    • Genética.

    A revisão também debate como as características específicas dos países da América Latina devem ser levados em consideração para que haja intervenções eficazes na redução das taxas de obesidade.

    Os pesquisadores propõem uma força-tarefa em cada país latino-americano, com iniciativas destinadas a compreender a doença e impedir seu crescimento, envolvendo abordagens multidisciplinares e globais que considerem esses fatores associados à obesidade.

    Além disso, os autores defendem estratégias públicas e políticas mais eficazes, considerando as diferenças regionais e a complexidade da doença em nível individual e sistêmico.

    O objetivo da revisão é orientar os esforços para soluções mais eficazes e, ao mesmo tempo, defender uma abordagem mais ampla direcionada à epidemia da obesidade na América Latina.

    Aumento nas taxas de obesidade no mundo e no Brasil

    Mais de 1 bilhão de pessoas estão vivendo com obesidade no mundo, de acordo com uma análise global publicada na revista The Lancet no final de fevereiro. Os dados mostram que a doença mais do que dobrou entre adultos e quadruplicou entre crianças e adolescentes de 5 a 19 anos, no período entre 1990 e 2022.

    Segundo a análise, 159 milhões de crianças e adolescentes e 879 milhões de adultos viviam com obesidade em 2022. Em 1990, o número de meninos e meninas obesos era de 31 milhões, enquanto o de adultos era de 195 milhões.

    As taxas de obesidade também estão em tendência de crescimento no Brasil, conforme mostra o Atlas Mundial da Obesidade 2024, lançado no início de março pela Federação Mundial de Obesidade.

    De acordo com o documento, a taxa anual de crescimento da obesidade em crianças e adolescentes brasileiros entre 2020 e 2035 será de 1,8%. Em 2035, a projeção é de que taxa de obesidade nessa faixa etária chegue a 50%, com mais de 20 milhões de crianças e adolescentes obesos ou com sobrepeso.

    Em relação aos adultos, o Atlas sugere que haverá um aumento anual de 1,9% nos números de adultos brasileiros com obesidade e sobrepeso entre 2020 e 2035.