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    Zumbido no ouvido atinge mais de 740 milhões de pessoas no mundo, diz estudo

    Condição é mais grave para mais de 120 milhões de pessoas, a maioria com 65 anos ou mais

    Zumbido é considerado um sintoma de uma condição prévia e não uma doença
    Zumbido é considerado um sintoma de uma condição prévia e não uma doença Foto: Peter Dazeley/Getty Images

    Lucas Rochada CNN

    em São Paulo

    O zumbido no ouvido pode se manifestar como um som acústico na forma de chiados, cliques, pulsações e outros ruídos. A percepção sonora sem correlação com barulhos externos reais é considerada um sintoma de uma condição prévia e não uma doença. A forma grave pode levar à perda auditiva, prejudicando a qualidade de vida.

    Um amplo estudo, publicado nesta segunda-feira (8) no periódico científico JAMA Neurology, aponta que o zumbido afeta mais de 740 pessoas em todo o mundo. Desse total, mais de 120 milhões apresentam uma forma grave da condição.

    Os pesquisadores sugerem que as estimativas colocam o zumbido em uma ordem de magnitude semelhante às principais causas de incapacidade, como perda auditiva, enxaqueca, dor na lombar e na região do pescoço.

    Como foram realizadas as análises

    O grupo de pesquisa mapeou mais de 700 artigos científicos sobre o tema, publicados entre 1972 e 2021. As estimativas de prevalência foram retiradas de 83 artigos e os dados sobre a incidência foram coletados de outros 12 estudos.

    Com base nessas informações, os especialistas estimaram que a incidência anual de zumbido é de aproximadamente 1%, sendo que 14% dos adultos apresentam algum zumbido e 2% sofrem de uma forma grave.

    A prevalência da condição não mostrou diferenças entre homens e mulheres. No entanto, o aumento foi associado ao avanço da idade: enquanto 10% dos adultos jovens tiveram algum tipo de zumbido, 24% dos idosos apresentaram sinais do problema.

    Os pesquisadores afirmam que as evidências sobre a frequência do zumbido na população geral ainda são escassas. As dificuldades na obtenção de dados adequados devem-se às causas multifatoriais do problema, distúrbios associados, diversas características dos sintomas e a natureza subjetiva de qualquer avaliação do zumbido.

    “Este estudo sugere que a carga global do zumbido é grande, semelhante à enxaqueca e dor, e a falta de opções de tratamento eficazes justifica um grande investimento em pesquisas nessa área”, dizem os autores.

    Causas multifatoriais

    De acordo com o Ministério da Saúde, as causas possíveis para o zumbido no ouvido incluem excesso de cera, infecções e lesões do aparelho auditivo.

    Além disso, outros fatores que aparentemente não têm relação com o sistema auditivo podem dar origem ao sintoma, como desvios de coluna, alterações cardiovasculares, diabetes, disfunções da articulação da mandíbula e consumo excessivo de cafeína, álcool e tabaco.

    O tratamento depende da origem do sintoma. Quando associado à perda auditiva, os pacientes podem se beneficiar do uso de aparelho amplificador.

    Já quando o problema não decorre de perda auditiva, é preciso identificar a causa. Na dificuldade de encontrar a origem, especialistas buscam identificar os elementos que disparam ou pioram o desconforto.

    Álcool, sal, doces, chocolate, cafeína e nicotina são gatilhos comuns, mas nem sempre existe um elemento disparador. Quando nenhum gatilho é localizado, alguns medicamentos podem funcionar.