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    OMS e Unicef revelam desassistência a quase 1 bilhão de pessoas com deficiência

    Relatório global aponta lacunas no acesso a produtos assistivos, como cadeiras de rodas, aparelhos auditivos ou aplicativos de apoio à comunicação e ao desenvolvimento

    Foto: National Cancer Institute/Unsplash

    Lucas Rochada CNN

    em São Paulo

    Mais de 2,5 bilhões de pessoas em todo o mundo precisam de um ou mais produtos assistivos, como cadeiras de rodas, aparelhos auditivos ou aplicativos que apoiem a comunicação e o desenvolvimento. No entanto, quase 1 bilhão delas não têm acesso, principalmente em países de baixa e média renda, onde o índice pode chegar a 3% da necessidade desses equipamentos.

    Os dados são de um novo relatório publicado nesta segunda-feira (16) pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

    O Relatório Global sobre Tecnologia Assistiva apresenta evidências inéditas sobre a necessidade global e o acesso a produtos assistivos. O documento fornece uma série de recomendações para expandir a disponibilidade e o acesso, aumentar a conscientização sobre a necessidade e implementar políticas de inclusão para melhorar a vida de milhões de pessoas.

    “A tecnologia assistiva é uma mudança de vida. Ela abre as portas para a educação de crianças com deficiência, emprego e interação social para adultos que vivem com deficiência e uma vida independente e digna para os idosos”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, em comunicado.

    A OMS e o Unicef pedem que os países ampliem o financiamento e priorizem o acesso à tecnologia assistiva.

    “Quase 240 milhões de crianças têm deficiências. Negar às crianças o direito aos produtos de que precisam para prosperar não prejudica apenas as crianças individualmente, mas priva as famílias e suas comunidades de tudo o que poderiam contribuir se suas necessidades fossem atendidas”, disse a diretora executiva do Unicef, Catherine Russell.

    Segundo ela, a falta de acesso aos itens básicos que auxiliam as crianças com deficiência amplia os gargalos na educação, contribuindo para o estigma e a discriminação.

    Destaques do relatório

    O relatório aponta que o número de pessoas que precisam de um ou mais produtos assistivos provavelmente aumentará para 3,5 bilhões até 2050, devido ao envelhecimento da população e à elevação da prevalência de doenças não transmissíveis em todo o mundo.

    O levantamento também destaca a grande lacuna no acesso entre países de baixa e alta renda. Uma análise de 35 nações revela que o acesso varia de 3% nas mais pobres a 90% nas ricas.

    De acordo com o relatório, cerca de dois terços das pessoas com produtos assistivos relataram ter comprado os equipamentos diretamente. Outros relataram contar com a família e amigos para apoiar financeiramente suas necessidades.

    Uma pesquisa de 70 países apresentada no relatório revelou grandes lacunas na prestação de serviços e na força de trabalho treinada para os produtos, especialmente nas áreas de cognição, comunicação e autocuidado.

    Pesquisas anteriores publicadas pela OMS apontam a falta de conscientização e preços inacessíveis, falta de serviços, qualidade, variedade e quantidade inadequadas de produtos e desafios de compras e cadeia de suprimentos como principais barreiras.

    Riscos de exclusão

    A OMS alerta que os produtos assistivos são geralmente considerados um meio de participação na vida da comunidade e na sociedade, que fornecem equidade com os demais. Sem eles, segundo a entidade, as pessoas sofrem exclusão, correm o risco de isolamento, vivem na pobreza, podem enfrentar a fome e serem obrigadas a depender mais do apoio da família, da comunidade e do governo.

    O impacto positivo dos equipamentos vai além da melhoria da saúde, bem-estar, participação e inclusão de maneira individual. Os benefícios também podem ser percebidos para famílias e para a sociedade.

    A OMS defende que ampliar o acesso a produtos assistivos de qualidade, seguros e acessíveis leva a custos reduzidos de saúde e bem-estar, como internações hospitalares recorrentes ou assistências estatais, além de promover uma força de trabalho mais produtiva, estimulando indiretamente o crescimento econômico.

    O acesso a esse tipo de tecnologia por crianças com deficiência é muitas vezes o primeiro passo para o desenvolvimento infantil, acesso à educação, participação em esportes e vida em comunidade e preparação para o emprego. Devido ao crescimento, as crianças com deficiência têm desafios adicionais que exigem ajustes ou substituições frequentes dos equipamentos utilizados.

    O relatório faz recomendações de ações concretas para melhorar o acesso, incluindo:

    1. Melhorar o acesso aos sistemas de educação, saúde e assistência social
    2. Garantir a disponibilidade, segurança, eficácia e acessibilidade dos produtos assistivos
    3. Ampliar, diversificar e melhorar a capacidade da força de trabalho
    4. Envolver ativamente os usuários de tecnologia assistiva e suas famílias
    5. Aumentar a conscientização pública e combater o estigma
    6. Investir em dados e política baseada em evidências
    7. Investir em pesquisa, inovação e um ecossistema facilitador
    8. Desenvolver e investir em ambientes favoráveis
    9. Incluir tecnologia assistiva nas respostas humanitárias
    10. Fornecer assistência técnica e econômica por meio da cooperação internacional para apoiar os esforços nacionais